A primeira jornada da Premier League tem como destaque o encontro entre o Manchester United e o Chelsea, já assistiu a goleadas impostas pelo Manchester City e pelo Liverpool e ainda há espaço para as entradas em competição de Tottenham e Arsenal, dois conjuntos que se reforçaram bem e cujas expectativas estão acima da média. Além de tudo isso e para além de tudo isso, Leicester e Wolverhampton encontravam-se este domingo para mais um jogo em que muitos dos protagonistas eram portugueses.

As equipas de Brendan Rodgers e Nuno Espírito Santo ficaram nos dez primeiros lugares da Premier League na temporada passada, num lote onde as seis posições iniciais são desde logo reservadas para os big six, e fazem parte de um contingente de quatro clubes que ameaça cada vez mais a quase hegemonia de Manchester City, Liverpool, Chelsea, Arsenal, Manchester United e Arsenal. A par do Everton de Marco Silva e do West Ham, o Leicester e o Wolves são os principais candidatos a causar sensação e armar surpresas na próxima época.

Durante o verão, o Leicester perdeu o central Harry Maguire, que se tornou o defesa mais caro de sempre ao transferir-se para o Manchester United por 88 milhões de euros, e reforçou-se principalmente com Tielemans e Ayoze Pérez, um médio mais defensivo e outro mais ofensivo que eram titulares já este domingo. Do outro lado, Nuno Espírito Santo viu a representação portuguesa no Wolves sofrer duas substituições diretas, com Hélder Costa e Ivan Cavaleiro a serem emprestados (um ao Leeds, outro ao Fulham) e Pedro Neto e Bruno Jordão e entrarem para os quadros dos foxes. Ainda assim, e mesmo com a contratação de Cutrone ao AC Milan e o empréstimo de Vallejo, o Wolves apresentava-se este domingo no King Power Stadium como um onze tirado a papel químico da temporada passada — e com Rui Patrício, João Moutinho, Rúben Neves e Diogo Jota a manterem a titularidade regular do ano anterior.

Numa primeira parte sem oportunidades de golo, o Leicester conseguiu manter-se por cima do Wolves durante grande parte do tempo, colocando as linhas bastante subidas e ponderando as transições uma a uma, para evitar os espaços e os erros que podiam lançar a equipa de Espírito Santo para o contra-ataque, onde é praticamente letal. Tielemans foi importante nessa ação, numa zona mais recuada do setor intermédio, e Ricardo Pereira foi a par de Ndidi o grande dinamizador da equipa, ao arrancar pelo corredor direito para procurar depois terrenos interiores ou cruzar em busca de um desvio na grande área. Do outro lado, mesmo num nível mais tímido e com algumas dificuldades em sair de forma apoiada e organizada, o Wolves teve em Diogo Jota o elemento mais perigoso, ainda que o avançado português não tenha feito uma primeira parte particularmente inspirada no que toca à concretização.

A segunda parte trouxe um início muito forte do Wolves, que regressou do intervalo muito mais subido no campo e a conseguir colocar Jota, Jiménez, Dendoncker e Jonny Castro a conduzir a bola de trás para a frente, em velocidade, para depois criarem oportunidades de golo junto à baliza de Schmeichel. Raúl Jiménez foi o primeiro a estar perto de inaugurar o marcador, ao receber um passe de Rúben Neves para depois deixar Söyüncü pregado ao relvado já na grande área, mas acabou por rematar fraco e para uma defesa fácil do guarda-redes dinamarquês (47′). A presença forte do Wolves no jogo, também impulsionada pela maior preponderância de Neves no meio-campo — o português ex-FC Porto serve como distribuidor de jogo e tanto abre espaços com passes curtos como solta Jota e Jiménez em profundidade e velocidade com passes longos –, acabou por culminar num golo de Dendoncker, no seguimento de um pontapé de canto. O médio belga rematou à queima-roupa e a poucos metros da linha de golo, depois de Boly tentar o cabeceamento, mas o golo acabou anulado pelo VAR porque o central francês terá tocado a bola com a mão (51′).

Brendan Rodgers reagiu com a entrada de Harvey Barnes para o lugar de Choudhury e o Leicester conseguiu recuperar algum pulso no jogo, refreando o ímpeto ofensivo com que o Wolves tinha voltado para a segunda parte e voltando a assentar arraiais nas primeiras linhas logo a seguir à grande área de Rui Patrício, onde tentava rendilhar os lances para abrir espaços e criar zonas de intervenção. Sem nunca se tornar um jogo propriamente amarrado — e com a ideia, até ao apito final, de que um golo poderia surgir em qualquer uma das balizas –, Leicester e Wolves não foram além do nulo numa partida em que o resultado poderia ter sido diferente se Diogo Jota ou Raúl Jiménez estivessem pelo menos tão inspirados como inspirados na maioria dos fins de semana da época passada. Nuno Espírito Santo falhou o primeiro milho da Premier League: e ganhou o VAR, que roubou a primeira vitória ao treinador português e ao restante contingente nacional.