Mais oficiais, menos guardas e sargentos. É esta a tendência na Guarda Nacional Republicana (GNR) ao longo dos últimos dez anos, de acordo com os dados revelados pelo Comando Geral da GNR ao Jornal de Notícias (JN) esta segunda-feira, que dão conta de um aumento de 100 oficiais desde 2009, que contrastam com a perda de 2.261 militares, a grande maioria nas categorias mais baixas — guardas e sargentos.

O JN destaca que uma auditoria da Inspeção-Geral da Admnistração Interna (IGAI) já tinha alertado para o impacto que a falta de abertura de concursos estava a ter na estrutura da GNR. Também as associações do sector apelam ao Governo para que abra concursos para os lugares de base, assegurando que, caso contrário, a “operacionalidade está em causa”.

Os números são claros. Desde 2009, 2.261 militares abandonaram a GNR, dos quais 2.171 eram guardas e 190 eram sargentos. A saída é compensada pelo aumento do número de oficiais, que passaram de 746 para 846 no período de uma década. Ao todo, em dez anos, a GNR passou de 24.606 militares para um operativo de 22.345. Mas os dados revelam uma tendência de desequilíbrio, com o topo a aumentar e a base a diminuir.

As associações do setor exigem a contratação de 600 militares de base, na maioria sargentos. Caso contrário, dizem, “a operacionalidade está em causa , porque já não há militares para fazer as patrulhas necessárias”, de acordo com César Nogueira, presidente da Associação de Profissionais da Guarda (APG/GNR) em declarações ao diário.

Já em janeiro, o problema tinha sido apontado por uma auditoria da IGAI, que destacou “a disparidade entre o número de militares de determinadas armas em detrimento de outras, nomeadamente o número diminuto de furriéis, 2.ºs sargentos, alferes e tenentes em oposição ao elevado número de capitães e 1ºs sargentos”. O organismo deixa ainda como recomendação a abertura de mais concursos para baixas patentes. Caso contrário, diz, pode ser posto em causa “o desejado equilíbrio na estrutura piramidal hierárquica da GNR”.