Uma mulher de 42 anos ficou internada no cuidados intensivos do Hospital de Braga depois de umas férias na República Dominicana, noticia o Jornal de Notícias. De acordo com a SIC, a mulher já teve entretanto alta.

A mulher de Vila Nova de Famalicão começou a sentir-se mal poucos dias depois de chegar à ilha das Caraíbas. Os primeiros sintomas assemelharam-se a uma gastroenterite (inflamação do estômago ou intestinos), mas, depois, a portuguesa começou a ter dificuldades em respirar, a ficar com o corpo inchado e com dores musculares. No hospital foi diagnosticado uma miocardite, uma inflamação do músculo do coração que pode provocar arritmias e insuficiência cardíaca. “A doente está internada e clinicamente estável”, indicou fonte hospitalar citada pelo Correio da Manhã.

Esta inflamação do músculo cardíaco pode ser provocada por uma infeção viral. A suspeita recai sobre o gelo das bebidas servidas nos hotéis que pode estar a ser feito com água não tratada.

Depois das várias mortes de cidadãos norte-americanos na República Dominicana, o Ministério dos Negócios Estrangeiros tinha alertado os portugueses, que pretendessem viajar para aquele país, que tivessem cuidado com as bebidas. As suspeitas recaíam sobre bebidas alcoólicas contrafeitas, mas o portal das comunidades portuguesas também lembrava que a água da rede pública na República Dominicana não é própria para o consumo humano.

Insuficiência cardíaca entre os sintomas dos turistas norte-americanos

Entre janeiro e junho de 2019, morreram 11 turistas norte-americanos na República Dominicana, noticia a revista Times. Em pelo menos sete dos casos, os turistas morreram depois de ficarem doentes. Alguns dos doentes apresentaram sintomas semelhantes aos reportados pela turista portuguesa: indisposição e insuficiência cardíaca.

O FBI está a investigar os casos, mas ainda não apresentou os resultados das análises toxicológicas, nem estabeleceu qualquer relação entre as mortes. Há, no entanto, uma suspeita de que o problema possa estar relacionado com bebidas alcoólicas contrafeitas.

O número de mortes de cidadãos americanos não é, só por si, razão de preocupação acrescida ou motivo para desaconselhar os turistas a viajar para aquele destino, refere a revista Times. Em 2018, tinham-se registado 13 mortes — algumas delas com o mesmo tipo de sintomas — e, em 2017, o número de mortes foi 17.

As mortes de cidadãos norte-americanos levou a Global News a tentar perceber o que se passava com os cidadãos canadianos. Nos primeiros cinco meses de 2019 morreram 28 turistas do Canadá na República Dominicana  — ainda que não tenha sido referida a causa de morte. Entre 2015 e 2018, houve em média 47 mortes entre turistas canadianos naquele país das Caraíbas.

A República Dominicana é um destino de férias popular: seis milhões de turistas por ano. Entre os norte-americanos, 2,7 milhões de pessoas viajaram para este país, em 2017. Já entre os turistas portugueses, foram 43 mil no ano de 2018. E 549 mil canadianos, em 2016.

No seguimento das mortes dos norte-americanos, a CNN recolheu uma dúzia de testemunhos de cidadãos que se tinham sentido mal durante ou no regresso das férias na República Dominicana. Os casos reportados iam desde uma intoxicação alimentar ou uma infeção com um vírus até ao envenenamento com produtos químicos: alguns dos turistas falaram em cheiros estranhos intensos no quarto antes de se sentirem mal. Os sintomas passavam por náuseas, dores de estômago ou suores e podem estar associados a químicos presentes em inseticidas, mas até agora não foi possível encontrar nenhuma causa nem relacionar as várias mortes.

Atualizado às 13h30