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Versace e Coach acusadas de apresentar Hong Kong, Macau e Taiwan como territórios independentes

Uma t-shirt da Versace com uma lista de cidades e países indicava Hong Kong e Macau como independentes. Na Coach, foram as referências territoriais no site que levantaram polémicas.

As questões territoriais chinesas ganharam mais destaque com o aumento das manifestações pró-democracia em Hong Kong

AFP/Getty Images

Depois de ser colocada à venda uma t-shirt assinada pela Versace, que dava a entender que Macau e Hong Kong seriam territórios independentes, a marca de luxo viu-se obrigada a pedir desculpas publicamente e a distanciar-se de questões políticas. Poucas horas depois, os holofotes voltaram-se para a americana Coach, depois de Hong Kong e Taiwan serem apresentados no site da marca como países.

Na China, as críticas à marca italiana fizeram-se sentir principalmente nas redes sociais, quando começaram a circular imagens da polémica t-shirt, na qual se pode ver uma lista de cidades, acompanhadas dos respetivos países. Ao lado de correspondências como Lisboa – Portugal, São Paulo – Brasil ou Paris – França, as cidades de Hong Kong e Macau surgem associadas a elas mesmas e não à China.

Depois da controvérsia gerada à volta da peça de roupa, a Versace viu-se obrigada a reagir. Na manhã de domingo, a marca partilhou um comunicado nas redes sociais onde pede desculpa e garante que está “a explorar métodos de melhorar como opera diariamente, de forma a tornar-se mais atenta e consciente”.

O comunicado geral da empresa foi acompanhado por uma mensagem da diretora criativa Donatella Versace, irmã do fundador Gianni Versace, onde reforça: “Nunca quis desrespeitar a soberania nacional da China e é por isso que quero pedir pessoalmente desculpa por este erro e por qualquer problema que ele possa ter causado”. A designer, que tomou as rédeas da marca após o assassinato do irmão, em 1997, também partilhou a mesma mensagem nas suas redes sociais pessoais.

No Weibo, uma rede social chinesa, a marca acrescentou ainda que as t-shirts deixaram de ser comercializadas a 24 de julho. No entanto, esta decisão não parece ter sido suficiente para impedir que mais danos fossem causados na reputação da Versace no país. O incidente acabou por provocar ainda o afastamento de Yang Mi, uma popular atriz chinesa, do papel de embaixadora da marca. Yang Mi defendeu que “a integridade territorial e a soberania da China são sagradas e invioláveis em todos os momentos”.

A Coach veio, na manhã desta segunda-feira, juntar-se à polémica. Os internautas chineses divulgaram imagens do site da marca norte-americana, onde não só Hong Kong mas também Taiwan podem ser selecionados num menu denominado “países”. A Coach também utilizou as redes sociais para reagir, afirmando que está comprometida “com o desenvolvimento a longo prazo na China e respeita os sentimentos da população chinesa”.

Macau é considerada uma região administrativa especial da China. O país tem sido cada vez mais rigoroso no controlo das mensagens que são passadas sobre a situação política destes territórios. As questões territoriais ganharam mais destaque com o aumento das manifestações pró-democracia em Hong Kong.

Apesar de a tensão ter aumentado nos últimos meses, os casos não são isolados. No ano passado, também a marca norte-americana GAP foi obrigada a pedir desculpa depois de, alegadamente, vender camisolas onde se podia ver um mapa incorreto da China — no qual se mostrava apenas o continente, deixando de fora outros territórios que a China também reivindica, como Taiwan.

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