O reino de Marrocos deixará de celebrar oficialmente o aniversário de Mohammed VI, assinalado a 21 de agosto, decisão tomada pelo próprio monarca e que é inédita neste país magrebino, foi esta terça-feira divulgado.

O Rei Mohammed VI (…) deu a ordem para que a partir deste ano não volte a ser realizada a cerimónia oficial de aniversário do soberano no Palácio Real”, informou um breve comunicado do Ministério da Casa Real, do Protocolo e dos Assuntos Externos.

Apesar da Casa Real marroquina não ter avançado mais informações ou ter especificado as razões que desencadearam tal decisão, investigadores citados pelas agências internacionais apontam razões económicas e políticas para explicar tal medida.

É o caso do investigador Rachid Aouraz, do Instituto Marroquino de Análise Política, que referiu que a decisão de Mohammed VI pode ser interpretada como uma medida de austeridade face ao aumento das críticas em relação aos encargos económicos associados à monarquia.

Em finais de julho, quando Mohammed VI de Marrocos cumpriu 20 anos no trono, o Gabinete Real também deu ordens para que as diferentes instituições evitassem grandes celebrações e aconselhou que os festejos fossem realizados “de acordo com os costumes e tradições” e “sem atos adicionais ou especiais”.

As estimativas dos gastos públicos de Marrocos para este ano rondam os 289.000 milhões de dirhams (cerca de 27.000 milhões de euros), dos quais cerca de 2.674 milhões de dirhams (250 milhões de euros) serão canalizados para a monarquia.

O investigador Rachid Aouraz também indicou que a medida de Mohammed VI, de 55 anos, pode ser encarada como um passo para reduzir a presença do monarca na cena política, de forma a afastá-lo de uma potencial contestação popular quando algumas políticas governamentais falham.

“A monarquia está a reduzir a sua presença tradicional e esmagadora na vida política e está a investir mais na sua eficácia administrativa e no seu papel de árbitro”, concluiu o investigador.

Apesar da nova Constituição marroquina de 2011 ter consolidado a figura do presidente do governo, o Palácio Real ainda conserva uma grande parte do poder executivo e durante as mais recentes crises sociais naquele país, como foi o caso da revolta social do Rif (norte de Marrocos) em 2017, a opinião pública direcionou as críticas para a monarquia.