A Neoen tornou-se conhecida no nosso país quando foi das principais vencedoras dos leilões para parques fotovoltaicos, que o Governo lançou em 2010. O seu primeiro projecto arrancou em meados de 2013, mais precisamente em Coruche, onde uma central de painéis solares (com nada menos do que 18.388) começou a produzir a energia necessária para 30.000 habitantes, fruto de um investimento de 40 milhões de euros.

Especialista em tudo o que é energia renovável, a Neoen aposta internacionalmente na produção de energia produzida pelo sol e pelo vento, em 13 países e quatro continentes, prevendo ter mundialmente 2,8 GW de capacidade de produção instalada até final de 2019, que deverão atingir 5 GW em 2021.

Na Austrália, onde também estão presentes, os franceses construíram um parque eólico com 99 aerogeradores com capacidade para gerar 315 MW de energia, fruto de um investimento de 800 milhões de dólares australianos, o equivalente a 490 milhões de euros. Para absorver os picos de produção e fornecer a rede eléctrica local, em caso de falta de energia, a Neoen necessitava de armazenar energia e foi exactamente aí que entrou a Tesla.

Além dos carros eléctricos, a Tesla produz igualmente painéis e telhas fotovoltaicas, baterias estacionárias para residências (powerwall) e para empresas ou fábricas (powerpack). A central australiana, conhecida como Hornsdale Wind Farm, tem um vizinho muito especial, a Hornsdale Power Reserve, estando ambas contratadas pelo Estado australiano para fornecer energia e estabilizar a rede naquela zona do país, muito dada a falhas de correntes e apagões.

A Neoen realizou uma consulta internacional e a Tesla Inc. saiu vencedora, fornecendo por 50 milhões de dólares aquela que é considerada a maior bateria do mundo, sendo composta por células Samsung cilíndricas 21700, similares às utilizadas nos Model 3 (os Model S e X usam as células ligeiramente mais pequenas, as 18650). A capacidade de armazenamento é de 129 MWh e o potencial para fornecer energia à rede é de 100 MWh, dividido em duas partes: a primeira pode fornecer 70 MW durante 10 minutos, ao passo que a segunda assegura 30 MW durante três horas.

O investimento da Neoen foi considerável, mas ao lançar uma oferta pública inicial – com o objectivo de reunir 450 milhões de euros – na segunda metade de 2018, a Neoen viu-se obrigada a libertar algumas informações sobre os seus projectos, que até então eram desconhecidos. Soube-se então que a Hornsdale Power Reserve efectivamente custou cerca de 56 milhões de euros (66 milhões de dólares) e ganhou 14,8 milhões de euros exclusivamente nos primeiros seis meses da operação (8,1 milhões no apoio à rede e 6,7 milhões a armazenar e a vender energia produzida pela Wind Farm), o que lhe permite ambicionar atingir break-even em cerca de 3,8 anos.

A Neoen utiliza o Powerpack de 129 MWh que adquiriu à Tesla como uma central eléctrica para evitar falhas de energia, normalmente por queima de gás natural ou derivados de petróleo. Porém, com um investimento menor e margens de lucro superiores.