Um golo fez a diferença na eliminatória da Liga dos Campeões entre FC Porto e Krasnodar. Um golo que foi a diferença entre uma recuperação sem precedentes há quase 90 anos, quando os dragões empataram um jogo do extinto Campeonato de Portugal com o Belenenses depois de estarem com três golos de desvantagem, ou um registo negativo de duas derrotas nos três primeiros jogos oficiais da temporada como não acontecia há quase 50 anos, com António Teixeira no comando da equipa. Pela segunda vez, os azuis e brancos perderam uma eliminatória depois de ganharem fora por 1-0. E tudo porque, pela primeira vez em 183 partidas nas competições europeias, a equipa saiu a perder por 3-0 no final dos primeiros 45 minutos.

“É ingrato, é cruel sofrer um golo aos dois minutos por falta de atenção. O segundo golo nasce de dois ou três ressaltos e da transição do adversário, não devíamos sofrer esse golo. O Krasnodar, na terceira vez em que remata a baliza, quando o nosso lateral [Alex Telles] está fora e o Luis Díaz está a compensar, faz o 3-0. A partir daí fica difícil. Penso que os jogadores reagiram de forma fantástica, fizeram uma segunda parte acima da média, no acreditar, no crer. Mesmo com pouco discernimento mas com convicção de que podíamos dar a volta a uma primeira parte muito ingrata”, resumiu Sérgio Conceição sobre o jogo, que terminou com a segunda derrota consecutiva do FC Porto após o desaire em Barcelos no arranque da Liga.

No entanto, e apesar da queda na Liga Europa (com o impacto financeiro que daí advém, depois de perder a possibilidade de ter 44 milhões de euros caso chegasse à fase de grupos da Champions), o técnico dos azuis e brancos recusa cenários de “crise” e puxou até dos galões para recordar o período de seca de títulos dos dragões quando chegou ao comando do clube.

“Aqui há sintonia total. O presidente sabe que está à vontade comigo, em falarmos o que é necessário falar. Cheguei aqui para quatro anos. Fomos campeões, ganhámos a Supertaça, chegámos às finais da Taça de Portugal e e da Taça da Liga, atingimos os oitavos da Champions no primeiro ano, fomos aos quartos no segundo ano. Estou completamente à vontade. Nós, grupo de trabalho e equipa técnica, algum jogador que possa sair, é um discurso que podemos ter”, referiu.

“Nunca serei um problema no FC Porto. Gosto demasiado do FC Porto para ser um problema. O ambiente de intoxicação que têm criado em redor da equipa é inédito. Tem sido incrível. Mas não foi por isso que perdemos hoje, foi por erros meus. Os meus jogadores deram uma resposta fantástica após uma primeira parte ingrata. Estou aqui com toda a força do mundo mas isto depende daquilo que o presidente quer para a equipa. Estamos assim [mãos juntas]. É preciso que os adeptos sintam isso. Compreendemos a tristeza e desilusão dos adeptos, é a mesma que a nossa. Falo da equipa, da equipa técnica, da estrutura”, acrescentou Sérgio Conceição, dizendo que tem uma “força enorme” e recordando o momento do FC Porto quando assinou, no verão de 2017: “Tenho uma força enorme. Quando cheguei há quatro anos que o FC Porto não ganhava nada”.

Com a derrota frente ao Krasnodar, os dragões passam para a fase de grupos da Liga Europa onde serão cabeças de série e com uma outra curiosidade: entre as 15 participações na competição, a última terminou com um triunfo na final de Dublin frente ao Sp. Braga, em 2011, com golo de Falcao (e já em 2002/03, como Taça UEFA, acontecera o mesmo). Em paralelo, e depois da queda na terceira pré-eliminatória de qualificação para a fase de grupos, o FC Porto é ultrapassado por Barcelona e Real Madrid no número de participações na Liga milionária, sendo igualado ainda pelo Bayern.