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Angola

Angola já registou este ano 14 mortos e 28 feridos devido a engenhos explosivos não detonados

País registou durante este ano 37 incidentes, que resultaram em 14 mortes e 28 feridos. Províncias de Bié, Cuando Cubango e Moxico são as que preocupam mais as autoridades.

KIM LUDBROOK/EPA

Angola registou durante este ano 37 incidentes, a maioria com engenhos explosivos não detonados, que resultaram em 14 mortes e 28 feridos, informou esta quarta-feira fonte da Comissão Intersetorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH).

O responsável pelo departamento nacional de Educação e Prevenção sobre o Risco de Minas e Outros Engenhos Explosivos e Remanescentes de Guerra, Edgar Lourenço, manifestou preocupação com os números apurados durante este ano, apenas registados antes do fim das cerca de quatro décadas de conflito armado no país.

“Lembrar que números como este tivemos somente na altura do conflito armado, ou seja, tivemos esta situação antes do ano 2002. De 2002 até à presente data tivemos entre 20 e 25 [casos], nunca números acima de 30 ocorrências”, referiu à agência Lusa. Conforme salientou o mesmo responsável, este ano já ocorreram cerca “de 28 feridos e 14 mortes, relativas a estas incidências”.

Face à situação preocupante, o Ministério da Ação Social, Família e Promoção da Mulher, em colaboração com a CNIDAH, vai lançar, na sexta-feira, em Ndalatando, capital da província do Cuanza Norte, o Programa de Educação e Prevenção sobre Acidentes com Minas e Outros Engenhos Explosivos e Remanescentes de Guerra.

“Este programa visa essencialmente diminuir, senão mesmo, eliminar os incidentes que ultimamente têm ocorrido em todo o país, essencialmente com engenhos explosivos não detonados”, disse Edgar Lourenço.

Segundo o responsável, “a ideia é ir sensibilizando, educando, a população”, para que não toquem e que não devem lidar com esse tipo de material, “porque o resultado normalmente é fatal”.

O programa, com a duração, na fase inicial, de 24 meses, poderá ser prolongado em função dos resultados, revelou Edgar Lourenço, acrescentando que o objetivo é o seu alinhamento com o novo Plano Estratégico do setor de ação de minas, para 2020-2025, nesta altura em finalização.

Edgar Lourenço explicou que a províncias que apresentam maior preocupação são as do Bié, Cuando Cubango e Moxico, contudo, estão a ser notificados casos em outras regiões do país.

“Aquelas em que o resultado da contaminação do longo conflito que vivemos, no caso do Cuando Cubango, Bié e Moxico, são as mais preocupantes. De qualquer forma outras também são tidas como preocupantes, na medida em que todas províncias tiveram alguma consequência do conflito armado”, frisou.

A execução do programa vai ser liderada pela CNIDAH e contará com a participação de outros órgãos do executivo angolano, nomeadamente os ministérios da Defesa, do Interior, da Cultura, da Administração do Território e Reforma do Estado e da Comunicação Social.

“Todos estes vamos tentar agregar para este programa, que será feito com várias temáticas, vamos envolver grupos teatrais e outras entidades que nos poderão ajudar para a divulgação, massificação, da mensagem do perigo que as minas e outros engenhos representam para as comunidades”, vincou.

O programa contará com colaboração internacional, através de organizações não governamentais estrangeiras, maioritariamente financiadas por doadores externos.

De acordo com o Ministério da Ação Social, Família e Promoção da Mulher, a realização deste programa 17 anos depois do fim da guerra deve-se ao facto de, das 3.293 áreas identificadas, em 2007, restarem ainda 1.200 campos de minas confirmados.

O programa justifica-se também pelo “crescente número de acidentes com minas, e sobretudo outros engenhos explosivos não detonados [bombas, granadas, morteiros, entre outros], que vitimam muitos cidadãos, essencialmente crianças”, pelo que “obrigam a uma intervenção urgente e alargada”.

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