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Greve

PSD acusa Governo de “exercício desproporcionado de autoridade”

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O vice-presidente do PSD David Justino critica "demonstração de força" e "falta de isenção" do Governo, a quem aconselha tentar um acordo nem que para isso tenha de "suspender a requisição civil".

MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

O PSD quebrou o silêncio relativamente à greve. Rui Rio continuou de férias em Ponte de Lima, mas David Justino deu uma conferência na sede do PSD, na São Caetano à Lapa, em Lisboa. Através do vice-presidente, o PSD acusa o Governo de, em vez de tentar mediar consensos, ter privilegiado o “exercício desproporcionado da autoridade, a demonstração de força com um aparato coercivo injustificado e a tentativa de humilhação dos trabalhadores e dirigentes sindicais”. Isto tudo, acredita Justino, para que “pudesse mais tarde reclamar vitória”. Tendo em conta as atuais circunstâncias, o PSD exige que o Governo faça tudo o que tem ao seu alcance para que sejam retomadas as negociações e, se necessário, “suspender a requisição civil” para que as partes se sentem à mesa.

David Justino admite que o PSD começou por concordar com o Governo numa “estratégia de prevenção e contenção de danos que garantisse os abastecimentos, especialmente de combustíveis”. Mas depois o PSD rapidamente percebeu que “enquanto fingia querer mediar o conflito, dava todos os sinais de que estava disposto a entrar no conflito”. E acabou por fazê-lo, denuncia Justino, “entrando em força no tal circo mediático, começando por dramatizar as consequências do cenário de greve e inundando os órgãos de comunicação social de visitas, declarações, entrevistas (chegou-se ao extremo de termos três ministros em simultâneo em três canais de televisão!), anúncio de medidas, mobilização de forças armadas e de segurança.”

O PSD acredita que o Governo fez tudo isto para criar um “clima emocional favorável a uma intervenção musculada – e espetacular, no original sentido da palavra” para que depois pudesse avançar para a requisição civil dos trabalhadores em greve. Com os seus atos, defende David Justino, o governo acabou por demonstrar “irresponsabilidade pela forma como alimentou a escalada de radicalização do conflito, falta de isenção pela forma tendenciosa como secunda a posição dos representantes das entidades patronais e excessos no exercício da autoridade de Estado, aos quais não será alheia a atual conjuntura político-eleitoral.” Para o dirigente do PSD tudo isto confirma o “estilo” do governo de “ser forte com os mais fracos e fraco com os mais fortes.”

A situação, acredita o PSD, colocou “o Governo e as forças que o apoiam”  num “beco sem saída, e sem condições para recuos”. Os sociais-democratas acreditam que “o Governo que deveria ser o promotor da solução é cada vez mais parte do problema”. Perante a atual conjuntura, o PSD “aconselha o Governo a apostar todos os seus recursos no restabelecimento das negociações, mesmo que para tal seja necessário suspender a requisição civil e desde que as posições irredutíveis dos sindicatos e dos representantes do patronato possam ser superadas, nomeadamente pela suspensão da greve (…) e pela negociação sem condições prévias. O PSD promete ainda que não fará qualquer “aproveitamento partidário de uma situação que afeta milhares de portugueses”.

David Justino não quis comentar as críticas internas no PSD pela ausência de Rui Rio deste combate. “Não é lançando achas para a fogueira e tentando alimentar a radicalização que criticamos que vamos contribuir para resolver o problema. Falamos quando entendemos, no tempo próprio”, explicou.

O vice-presidente do PSD confirmou ainda que “Rui Rio está de férias, mas não está incontactável. Mantenho contacto como dr. Rui Rio todos os dias.” De resto, reitera, “a responsabilidade de encontrar uma solução é do Governo”.

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