Seis meses depois de ter chegado às ruas de Coimbra, a Lime decidiu interromper a circulação das suas trotinetes elétricas nesta cidade, argumentando que “a criação de um ecossistema forte e sustentável na região centro implica uma estratégia concertada com mais entidades locais”. A plataforma de micromobilidade acrescenta que vai, agora, “avaliar a estratégia de negócio e expansão em Portugal”, mas que a possibilidade de voltar a Coimbra “não é posta de parte”.

A empresa norte-americana foi a primeira a levar trotinetes elétricas para Coimbra, tendo arrancado a 1 de março com uma frota entre 200 e 400 trotinetes na cidade. No entanto, acrescenta a nota enviada, cada cidade tem características diferentes “não existindo, por isso, uma solução de transporte igual para todas”. “As comunidades têm necessidades distintas e, por este motivo, também a frota disponível é determinada por vários fatores, entre os quais o clima, a regulamentação e a disponibilidade de infraestruturas“, sublinhou a Lime.

A criação de um ecossistema forte e sustentável na região centro implica uma estratégia concertada com mais entidades locais. A possibilidade de voltar a Coimbra e chegar a outras cidades vizinhas não é posta de parte e a marca está a trabalhar numa estratégia ambiciosa para Portugal.

O Observador tentou contactar a Lime para saber mais detalhes sobre esta interrupção, mas todas as explicações foram remetidas para o comunicado enviado.

Em março, quando as trotinetes começaram a circular em Coimbra, a empresa sublinhou a grande densidade populacional e a forte presença de estudantes como fatores que ajudaram a levar a empresa para a cidade, bem como o investimento na melhoria do seu serviço de mobilidade e uma “grande abertura para a entrada da Lime desde o primeiro momento”.

A Lime explica que chegou “com a missão de fornecer à comunidade local uma opção de transporte segura, acessível e sustentável, na sequência da vontade que as autoridades locais já tinham demonstrado de melhorar a sua estratégia de mobilidade” e diz orgulhar-se da operação que desenvolveu, continuando a acreditar no potencial de Coimbra, “até porque as autoridades locais estão empenhadas em oferecer soluções de micromobilidade aos cidadãos”, acrescenta a nota enviada. Há, de acordo com o comunicado, a ambição de “regressar com uma oferta de qualidade e mais abrangente”.

Em novembro, Caen Contee, cofundador da Lime, disse em entrevista ao Observador que um dos objetivos da empresa seria aumentar a sua presença em Portugal. “Queremos assegurar que conseguimos garantir o sentimento de que podem encontrar uma trotinete e utilizá-la como forma de circular, independentemente do sítio da cidade em que se encontram, e tornar o dia a dia possível. Vemo-nos a criar uma rede nacional, já estamos em conversações e esperamos continuar a colocar o nosso produto noutras cidades em Portugal, nos próximos meses”, acrescentou Caen Contee.

Em Portugal desde outubro do ano passado, a Lime tem atualmente trotinetes disponíveis na cidade de Lisboa. Foi, aliás, a primeira empresa de micromobilidade a colocar trotinetes em Portugal. A empresa está ativa em mais de 100 mercados, incluindo Seatle, São Francisco, Berlim, Paris e Madrid e conta com mais de três milhões de utilizadores em todo o mundo. Com a sua saída de Coimbra, a Circ (antiga Flash) passa a ser a única empresa de micromobilidade com trotinetes elétricas nesta cidade.