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Espanha

Este comboio é dos habitantes de Sóller — e eles não o querem vender

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A linha férrea que liga Palma a Sóller, em Mallorca, é detida por cerca de 800 habitantes. A empresa está sob uma oferta pública de aquisição, mas os moradores não se querem desfazer do símbolo local.

Getty Images

Um grupo de investidores espanhóis anónimos quer comprar uma linha férrea em Mallorca, Espanha, e lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a empresa que a detém. Nada de particularmente estranho — tirando o facto de, muito provavelmente, a compra se preparar para falhar redondamente por um motivo pouco comum. É que a linha de comboio é detida por cerca de 800 moradores da pequena vila de Sóller que, na sua maioria, recusam vender as ações por motivos sentimentais.

Os 27 quilómetros que separam a vila de Sóller da cidade de Palma (capital da ilha de Mallorca) são cobertos, desde 1912, por uma velha linha de comboio mandada construir pelos próprios moradores da localidade, que no início do século XX angariaram o dinheiro necessário para a construção da ligação ferroviária. Desde essa altura que as ações da empresa criada para explorar a linha — a Ferrocarril de Sóller — são detidas exclusivamente por habitantes da vila.

Como conta uma reportagem do jornal britânico The Guardian no local, alguns moradores apenas têm uma mão cheia de ações, e dificilmente se desfarão delas, pelo simbolismo que têm para a localidade. “Seria uma vergonha se a linha perdesse a sua característica invulgar de ser propriedade de centenas de cidadãos locais”, diz o autarca Carles Simarro, que considera que aquele comboio, frequentado por milhares de turistas, faz parte da “essência” da localidade.

Outro habitante notável, o ex-autarca Jaume Servera, diz que “não é uma questão de a oferta ser boa, mas de se as pessoas querem vender”. “Por motivos sentimentais, penso que a maioria dos pequenos acionistas não vão querer vender. É algo que está muito entranhado na vida de Sóller”, explica Servera. Além das centenas de pequenos acionistas que são habitantes locais, um operador turístico e uma empresa de passeios de barco são os dois maiores acionistas da empresa.

Os acionistas vão ter de decidir até ao dia 6 de setembro se querem ou não aceitar a oferta feita por um conjunto de 10 a 15 investidores representados pelo fundo de investimentos Goros — que oferecem 25 mil euros pelo controlo da linha.

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