“A minha mensagem para os deputados de todo o Parlamento é simples e é urgente: só trabalhando juntos conseguiremos evitar um no deal.” O líder dos trabalhistas britânicos, Jeremy Corbyn, voltou a apelar aos membros da Câmara dos Comuns que pretendem evitar uma saída sem acordo para que o apoiem, numa entrevista dada ao Observer este sábado. Mas os sinais, dados tanto por tories que não querem um Brexit sem acordo como por políticos da oposição como os liberais democratas, não são favoráveis ao líder do Labour.

O principal rosto da oposição tem um plano em marcha, que apresentou na passada quarta-feira: propor uma moção de censura ao Governo de Boris Johnson, conseguir que deputados de outros partidos para lá dos trabalhistas apoiem essa moção para derrubar o Governo e que seja o próprio Corbyn a assumir o cargo de primeiro-ministro na sequência disso. O problema é que nem todos os deputados que querem evitar um no deal gostam da ideia de que Corbyn seja o próximo primeiro-ministro dos britânicos.

“O plano que apresentei esta semana é a forma mais simples e democrática de evitarmos um no deal“, reforçou o líder do Partido Trabalhista. “Temos de aproveitar a oportunidade antes que seja tarde demais para que sejam as pessoas, e não o nosso primeiro-ministro não-eleito, a decidir o futuro do nosso país.”

A proposta de Corbyn foi rapidamente rejeitada por Jo Swinson, líder dos liberais democratas, e ao longo dos últimos dias tem sido também publicamente rejeitada por alguns deputados do Partido Conservador que querem evitar uma saída sem acordo, mas que não querem o trabalhista como primeiro-ministro. É o caso de Oliver Letwin, que este sábado disse-o claramente numa entrevista à BBC: “Não acho provável que se forme uma maioria dessas e, pessoalmente, não quereria votar a favor dela”, afirmou.

Também Jo Swinson não só reforçou que não quer um Governo liderado por Corbyn, como sugeriu uma alternativa: a formação de um Governo de união nacional liderado por um dos dois deputados mais experientes da Câmara, Kenneth Clarke (conservador) ou Harriet Harman (trabalhista). Ambos, garantiu, estão disponíveis. “Contactei-os, porque obviamente não se menciona os nomes das pessoas sem ter a certeza que eles estão bem com isso”, afirmou à BBC na sexta-feira.

Eles colocam o dever público em primeiro lugar e não querem um Brexit sem acordo, portanto se a Câmara dos Comuns lhes pedir para liderarem um Governo de emergência nacional para tirar o nosso país desta trapalhada do Brexit, e impedir que rolemos pelo precipício abaixo, eles estão preparados”, garantiu.

Corbyn, porém, parece não ter gostado da ideia. “Precisamos de respeitar o processo eleitoral”, reforçou na tarde deste sábado, antes de lançar um último apelo na entrevista ao Observer, horas depois.

O pedido do líder trabalhista surge no mesmo dia em que o YouGov publica uma sondagem que dá conta de que quase metade dos britânicos inquiridos (48%) preferem uma saída sem acordo do que ter Corbyn como primeiro-ministro se este quiser avançar com um segundo referendo. 35% são favoráveis a essa hipótese.