O que fará um ás do volante como Valtteri Bottas, que actualmente ocupa a segunda posição no campeonato do mundo de F1, atrás do seu colega Lewis Hamilton, quando se pode ausentar por uns breves dias dos circuitos? A resposta é no mínimo curiosa, uma vez que Bottas, quando não está no cockpit do seu fórmula, diverte-se a conduzir um carro de ralis.

Pilotar ao mais alto nível um fórmula 1, apesar de envolver igualmente trabalhar com um volante, caixa e pedais, está nos antípodas do que é conduzir um carro do campeonato mundial de ralis (WRC). O que na F1 exige travar tarde, acelerar cedo e descrever as curvas o mais depressa possível, sem contudo se atravessar para não perder tempo e destruir os pneus, nos ralis é exactamente o aposto, uma vez que conduzir atravessado é tradicionalmente a melhor forma de travar, curvar e acelerar mais cedo. Especialmente em pisos escorregadios, como terra ou neve.

Bottas, que apesar de ser o segundo no mundial de F1 e de ter liderado a classificação no início do ano não tem o lugar garantido na Mercedes para a próxima época, resolveu aproveitar a visita do WRC à Alemanha para conduzir um dos Fiesta da equipa oficial M-Sport. Uma experiência com alguma responsabilidade, ou não se tratasse do carro que se sagrou campeão do mundo em 2017 e 2018.

Para quem sai de um F1 com 1.000 cv, com entre 700 a 800 cv a serem assegurados por um motor 1.6 V6 sobrealimentado, com o restante a ser garantido por motores eléctricos, pilotar um carro de ralis com “apenas” 380 cv, para mais com quatro rodas motrizes, é brincadeira para crianças. Para espanto dos presentes, Bottas revelou-se rápido, tendo realizado na primeira parte da classificativa um tempo similar ao de Kris Meeke, num Toyota Yaris. Um bom presságio e em linha com a versatilidade que o seu conterrâneo Kimi Räikkönen já demonstrou quando, entre 2009 e 2011, fez um intervalo na F1 para se dedicar ao WRC.