Rádio Observador

Açores

Picada de caravela impede alemão de atravessar costa sul da ilha Terceira a nado

Um nadador amador alemão tentou atravessar parte da costa sul da ilha Terceira, nos Açores, numa travessia contra a corrente, mas foi picado por uma caravela e teve de desistir.

ANTONIO-ARAUJO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Um nadador amador alemão tentou hoje atravessar parte da costa sul da ilha Terceira, nos Açores, numa travessia contra a corrente, que pretendia alertar para o estigma da depressão, mas foi picado por uma caravela e teve de desistir.

“O mar estava muito alterado. Tinha ondulação de dois a três metros, vindo de sudoeste, mas mesmo assim andámos num bom ritmo e esta travessia estava a correr como estava previsto. Por causa do estado do mar não foi possível avistar as caravelas do barco de apoio e, por azar, eu toquei com uma das mãos nos tentáculos de uma caravela, que depois se enrolou na outra mão e no meu pescoço”, adiantou, em declarações à Lusa, Christoph Kneppeck.

Depois de já ter nadado entre as ilhas do Pico e do Faial e entre as ilhas das Flores e do Corvo, Christoph decidiu atravessar hoje parte da costa sul da ilha Terceira, entre o ilhéu dos Fradinhos, no Porto Judeu, e o porto de São Mateus, num total de 16 quilómetros (km) contra a corrente.

Partiu às 10h00 (hora local, mais uma em Lisboa) e ainda nadou cerca de três quilómetros, durante uma hora, no seu “ritmo normal”, mas as dores do contacto com a caravela portuguesa obrigaram-no a desistir, tendo sido de imediato assistido nas urgências do Hospital da Ilha Terceira.

“Foi azar, porque quando nós fomos de barco do Porto das Pipas aos Fradinhos, em todo o percurso vimos só quatro caravelas ao longo dos 10km”, contou, garantindo que vai “tentar fazer novamente” esta travessia, mas com condições “mais favoráveis”.

Já no dia 15 de julho, quando nadou da ilha do Corvo à ilha das Flores, as caravelas tinham sido a principal dificuldade da prova, que deveria ter sido percorrida em 18km, mas com os desvios acabou por ser feita em 25km.

“Foi uma experiência brutal, completamente fora do normal, porque nesse dia tinha muitas caravelas e foi preciso parar muitas vezes durante a travessia para escapar às caravelas, o que quebra muito o ritmo do nadador”, contou, lembrando que um colega de prova teve de ser assistido no centro de saúde, na ilha das Flores.

Hoje, na travessia que designou como “contracorrente”, Christoph propunha-se a fazer um percurso mais difícil, sozinho e num sentido que julga ninguém ter tentado antes, não só pelo desafio físico, mas pela mensagem que pretendia transmitir.

“Esta designação a nível pessoal faz todo o sentido, porque estou numa fase da vida complicada em que estou a enfrentar muitas correntes adversas”, salientou.

A viver desde 2005 na ilha Terceira, Christoph Kneppeck começou a nadar há seis anos para aliviar as dores das artroses, mas descobriu que a modalidade tinha outros benefícios.

“Estou doente já há algum tempo com uma depressão e eu descobri que para mim a natação é o meio mais eficaz de aliviar esta doença”, revelou.

A doença, que, segundo Christoph, ainda é alvo de muito estigma, provoca-lhe “insónias, falta de apetite, incapacidade de tomar decisões, autoisolamento social, angústia, ataques de pânico, forte sentido de culpa e forte sentido de ter falhado”.

“Não sou uma pessoa doida ou uma pessoa incapaz de fazer uma piada ou rir-se de uma coisa, mas tenho outros sintomas que não são tão visíveis para as pessoas. As pessoas veem-me na rua e acham que eu estou a passar férias”, lamentou.

O cansaço que sente após grandes travessias no mar ajuda-o a ter mais apetite e a dormir melhor durante a noite.

“É mesmo uma terapia. Às vezes quando vou para fora e não posso treinar durante alguns dias, sinto logo os níveis de stress a subir, sinto angústia e outros sintomas da depressão. Não cura a depressão, mas ajuda bastante a aliviar os sintomas mais fortes”, frisou.

Além da prática de exercício físico, a natação em alto mar dá-lhe uma sensação “completamente diferente” e um desafio maior, devido às correntes e às surpresas que a natureza reserva.

“Já me aconteceu ter golfinhos a nadar perto de mim, já passei por cima de raias e de ratos do mar. Já tive cardumes de peixe que me acompanharam durante 10, 20 minutos”, contou.

Quando entra na água esquece os perigos que possam estar à sua volta e o esforço físico que terá pela frente, focando-se apenas “em cada braçada”.

“Eu gosto quando o mar está diferente, quando está alterado, quando tem ondulação. Para mim torna até às vezes a natação mais interessante”, revelou.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Serviço Nacional de Saúde

SNS: Os Humanos

Fernando Leal da Costa

O Ministério não valoriza os seus melhores. Paradoxalmente, demoniza o recurso a todo o sistema, afunila a procura para um SNS saturado e, ao mesmo tempo, não valoriza os recursos humanos que tem.

História

O azar do museu Salazar /premium

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

A ignorância e o fanatismo, que estão na origem dos totalitarismos, combatem-se com a verdade e o conhecimento. A ditadura não se vence com a ignorância, mas com a ciência.

Universidade de Coimbra

Fraca carne

Henrique Pereira dos Santos
271

Substituir carne por peixe (ou por vegetais), sem saber de que sistemas de produção (e de que ciência) estamos a falar é completamente vazio do ponto de vista da sustentabilidade ambiental.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)