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Segurança

Ataque a autarca da Praia obriga todos a ponderar aspetos de segurança

"É um facto que nos obriga a todos a ponderar coisas sobre aspetos que têm a ver com a segurança de titulares de certo tipo de cargos, sem esquecermos a segurança geral", disse Jorge Carlos Fonseca.

Jorge Carlos Fonseca recordou que visitou Óscar Santos, ainda no hospital, e disse que, felizmente, não aconteceu "coisa mais grave" ao seu "amigo pessoal"

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, considerou esta segunda-feira que o ataque ao autarca da Praia Óscar Santos obriga a todos a ponderar aspetos de segurança de titulares de certos cargos, mas sem esquecer a segurança pública.

“É um facto que nos obriga a todos a ponderar coisas sobre aspetos que têm a ver com a segurança de titulares de certo tipo de cargos, sem esquecermos a segurança geral, pública”, disse o Presidente cabo-verdiano.

Jorge Carlos Fonseca falava em conferência de imprensa, na cidade da Praia, de antevisão a deslocação ao Brasil, onde na quarta-feira vai receber o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Ouro Preto, de Minas Gerais.

O presidente da Câmara da Praia, Óscar Santos, foi atacado à porta de um ginásio que frequenta e atingido com um tiro por encapuzados, que fugiram do local, sofrendo uma fratura do úmero direito.

Depois de uma operação cirúrgica realizada no dia 02 de agosto, Óscar Santos esteva em casa a recuperar da lesão e regressou ao trabalho na sexta-feira.

Jorge Carlos Fonseca recordou que visitou Óscar Santos, ainda no hospital, e disse que, felizmente, não aconteceu “coisa mais grave” ao seu “amigo pessoal”.

O chefe de Estado cabo-verdiano adiantou que há uma perceção de melhorias no que diz respeito a questões de segurança, mas sublinhou que o país ainda está acima dos níveis comunitariamente suportáveis.

“Estamos acima desses níveis, portanto tem de se trabalhar mais com mais meios, mais investimento, mas também com mais inteligência, com mais lucidez, conhecendo melhor as experiências estrangeiras, e ver onde é que é fundamental investirmos, atacarmos, para chegarmos a níveis razoáveis ou aceitáveis de insegurança”, sustentou.

As autoridades judiciais e policiais cabo-verdianas têm alertado para a “complexificação e maior sofisticação” nas tipologias de crimes, entendendo que isso vai exigir “novas competências” dos atores judiciais.

“Temos de nos habituar a conviver com esses fenómenos, temos também de aprender a combatê-los e, para tanto, temos de investir na segurança, que é um investimento seguro”, defendeu Jorge Carlos Fonseca, para quem é preciso investir no Ministério Público, com meios estruturais, institucionais, técnicos, operacionais e logísticos, e com mais meios às polícias de investigação.

“A vitória sobre a criminalidade reside sobretudo nisso, é no investimento em meios técnicos, científicos e logísticos, que têm a ver com a investigação e a prevenção da criminalidade”, continuou o Presidente de Cabo Verde, considerando que o país não deve tomar medidas apenas quando acontecem situações deste género.

“Devemos é antecipar os problemas que podem acontecer, com serenidade, mas com lucidez e inteligência”, acrescentou.

A Polícia Judiciária de Cabo Verde anunciou a abertura de uma investigação ao crime de que foi vítima o autarca, mas até agora não disponibilizou mais informações.

O líder da maior autarquia de Cabo Verde disse que o ataque foi motivado por vingança por alguma decisão que tomou, referindo que não foi um atentado à pessoa, mas sim ao presidente da Câmara Municipal da Praia.

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