Ainda não há confirmação oficial, mas este é já o assunto preferido dos desportivos espanhóis, logo a seguir à novela Neymar: menos de um ano depois de deixar a Fórmula 1 e dois meses depois de ganhar as 24 horas de Le Mans pela segunda vez, Fernando Alonso deve anunciar esta terça-feira que vai competir no Dakar 2020, que, em janeiro do próximo ano, vai decorrer na Arábia Saudita. O piloto espanhol, que decidiu retirar-se da Fórmula 1 no final da temporada passada depois de 17 anos ao mais alto nível e dois títulos mundiais conquistados para perseguir o sonho da Tripla Coroa do automobilismo, vai representar a Toyota naquela que é uma das provas mais duras do desporto.

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A seu lado, segundo conta a comunicação social francesa, Alonso vai ter uma lenda viva do Dakar: Marc Coma, o catalão que venceu cinco vezes (2006, 2009, 2011, 2014 e 2015) o Dakar na categoria de motas e que chegou a ser diretor desportivo da competição. O antigo motociclista cumpre então o sonho de participar na prova de carros do Dakar, ainda que como co-piloto, e vai garantir a Fernando Alonso a experiência necessária que o piloto de 38 anos, que sempre competiu em pista, não tem. Nas redes sociais, Alonso já revelou que terminou as férias e partilhou uma imagem a andar de bicicleta, provavelmente já a treinar para uma prova que é dura não só fisicamente como psicologicamente.

As notícias de que o espanhol vai fazer parte do pelotão do Dakar do próximo ano surgem numa altura em que Alonso já estava a merecer atenção por, ao que tudo indica, ter recusado um convite para voltar à Fórmula 1. Os rumores de um eventual regresso do antigo bicampeão mundial não são propriamente uma novidade — até porque Alonso testou o McLaren Honda antes do início da temporada e permanece envolvido nas operações da última equipa que representou na prova rainha do automobilismo; a novidade, porém, é que o convite para regressar não partiu da mesma McLaren. Terá sido a Red Bull a convidar o espanhol para ocupar o lugar de segundo piloto da equipa, ao lado de Max Verstappen, até ao final da presente época. Isto porque a equipa que atualmente compete de forma direta com a Mercedes e a Ferrari despromoveu Pierre Gasly, até aqui segundo piloto, à Toro Rosso, a sua equipa satélite: no seguimento da rejeição de Fernando Alonso, a Red Bull decidiu subir Alexander Albon, que estava então na Toro Rosso (num percurso que o próprio Verstappen também fez, já em 2016, quando trocou de lugar com Daniil Kvyat).

Depois de ganhar duas vezes o Mundial de Fórmula 1, duas vezes as 24 horas de Le Mans e uma outra as 24 horas de Daytona e de ainda ter conquistado o Mundial de Resistência, Fernando Alonso continua à procura de novos desafios e ainda não esqueceu as 500 Milhas de Indianápolis, a prova que lhe falta para se tornar apenas o segundo piloto da história a colecionar a Tripla Coroa (que fica completa com o Grande Prémio do Mónaco de F1 e Le Mans).