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O Douro não é só vinho, também tem tomate coração-de-boi e agosto é o mês dele

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O Concurso Tomate Coração de Boi do Douro regressa nos próximos dias 23 e 24 de agosto e vai haver muito para provar na Quinta de Ventozelo, em Ervedosa do Douro, e na aldeia de Arroios, em Vila Real.

O tomate coração-de-boi distingue-se visualmente pelo seu tamanho grande e forma irregular

Paulo Pereira

Douro é sinónimo de uvas e vinho mas há outro fruto que ultimamente tem ameaçado a popularidade hegemónica destes símbolos durienses: o tomate. No próximo dia 23 de Agosto, na Quinta de Ventozelo, em Ervedosa do Douro, começa a IV edição do Concurso Tomate Coração de Boi do Douro e vai haver muito para conhecer e comer.

A utilização da palavra “concurso” não é por acaso, já que parte do certame envolve uma competição entre vários produtores da zona, avaliada por um painel de jurados composto por chefs de referência, enólogos e jornalistas (este ano Maria de Lourdes Modesto será convidada de honra), para ver quem tem os melhores tomates da região. Contudo, há muito mais para explorar.

Depois de se determinar o grande vencedor do desafio (pelas 18h30), começará o jantar volante onde este alimento carnudo e sumarento será o grande protagonista, claro está, mas que também contará com o melhor das especialidades gastronómicas locais — sempre com o vinho como parceiro.

E o que tem de especial o tomate coração de boi do Douro? Quase tudo, na verdade. As grandes quantidades de luz e as igualmente impressionantes amplitudes térmicas da região são responsáveis pelo reforço de elementos como a textura, o sabor e suculência deste espécimen tendencialmente (mas não só) vermelho. A ideia de criar este concurso partiu da empresária Celeste Pereira, do jornalista Edgardo Pacheco e do produtor de vinhos Abílio Tavares da Silva e foi vista desde o início como uma grande oportunidade para não só motivar os restantes produtores vínicos da zona a manterem viva a tradição de terem as suas hortas (num registo não industrial) mas também para promover o território e a sua biodiversidade.

A participação no concurso é gratuita mas a inscrição no jantar volante tem o custo de 25 euros. Os participantes são convidados a trazer uma garrafa de vinho para partilhar e tanto as inscrições no concurso como no jantar devem ser feitas via e-mail (para o greengrape@greengrape.pt).

O terroir duriense, com muita exposição solar e grandes amplitudes térmicas, faz com que este fruto desenvolva bastante certas características como o sabor e a suculência © Paulo Pereira

A festa não se fica por aqui. Até ao final do mês de Agosto, vários restaurantes de referência na região vão ter na sua carta pratos com este fruto, estando entre eles nomes como o DOC, do chef Rui Paula (propõe uma combinação de burrata com tomate coração-de-boi, azeite de manjericão e favo de mel), o Aneto & Table (pode provar o dito tomate recheado com pesto e queijo fresco) ou a Toca da Raposa, onde a dona Graça propõe uma especialidade de milhos com tomate coração-de-boi e pataniscas de bacalhau.  No total estão envolvidos dez espaços espalhados (conheça-os aqui) por localidades como Lamego, Vila Real, Alijó, Pinhão ou Peso da Régua.

Uma parceria com o Projeto Capella permite a realização de uma prova de tomate no dia 24 de agosto, a partir das 17h30, que se realizará na capela da aldeia de Arroios, em Vila Real. Aberto a todos os interessados e sem qualquer tipo de júri a avaliar, esta prova irá explorar a conjugação deste fruto com diferentes tipos de azeite nacional (atividade coordenada pelo conceituado especialista de vinho e azeite Francisco Pavão) e com o sal marinho da algarvia Salmarim, do igualmente conceituado Jorge Raiado. As festividades contam ainda com a XI edição do Mercadinho da Capella, animada feira de produtos regionais onde vão estar à venda vários produtos das hortas das redondezas (e não só). A participação nesta prova é gratuita, mas aconselha-se reserva para o mesmo endereço de e-mail.

Este concurso mantém o seu cariz itinerante — todos os anos realiza-se em quintas de vinhos diferentes — e a localidade deste ano traz um bónus: a oportunidade de dar a conhecer em primeira mão o projeto que a Grand Cruz está a desenvolver na Quinta de Ventozelo, uma das mais antigas propriedades da Região Demarcada do Douro que brevemente se apresentará como hotel rural de 4 estrelas, com 29 quartos, cantina-restaurante e enoturismo.

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