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Madeira

Eleições na Madeira. PS e MPT à procura da confiança do povo, Aliança em busca de um grupo parlamentar e um PAN ressurgido

PS quer "programa vencedor" e não se preocupa com maioria, PAN está de volta após "hiato" de dois anos, Aliança visa grupo parlamentar e MPT quer população a acreditar. Eleições são a 22 de setembro.

"Não me preocupa a questão das maiorias relativas ou maiorias absolutas, o que me importa é que o nosso programa seja vencedor", diz Paulo Cafôfo

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O cabeça de lista do PS às eleições legislativas na Madeira, Paulo Cafôfo, diz que é o político regional “mais habilitado para lidar com a diversidade” na região autónoma e assegura que não está preocupado com “arranjos” pós-eleitorais.

“Não me preocupa a questão das maiorias relativas ou maiorias absolutas, o que me importa é que o nosso programa seja vencedor”, disse em entrevista à agência Lusa, evitando, contudo, indicar se está disponível para coligações pós-eleitorais.

Paulo Cafôfo apresenta-se como independente apoiado pelo PS às regionais de 22 de setembro e lembra que é “a pessoa mais habilitada para lidar com a diversidade” política no arquipélago, pois foi eleito duas vezes consecutivas presidente da Câmara Municipal do Funchal à frente de coligações: Mudança (PS/BE/PTP/MPT/PDN/PAN), em 2013, e Confiança (PS/BE/JPP/PDR/Nós, Cidadãos!), em 2017.

“Acredito que a política serve para estabelecer pontes, não para construir muros”, afirmou, classificando-se como um político de “diálogo e de convergência”.

Paulo Cafôfo disse, no entanto, que a população madeirense vai enfrentar “duas opções simples” no dia das eleições: o projeto socialista e o projeto social-democrata.

“Estamos a viver um momento único na história política e da democracia na Região Autónoma da Madeira”, afirmou, assinalando que o eleitorado vai ter de escolher se quer “continuar com os que estão” ou optar por um “projeto inovador”. De um lado, segundo disse, existe o poder social-democrata que dura há mais de quarenta anos e “está gasto, sem ideias e confunde o governo com o partido” e, por outro lado, existe o projeto socialista, que é “inclusivo, não chantageia, não entra no compadrio e não institui o medo”.

“Temos feito uma abertura à sociedade civil como nunca foi feita aqui na região e, nos 24 primeiros lugares da lista [número de deputados que garante a maioria absoluta], temos nove independentes”, realçou.

O cabeça de lista destacou, também, o “papel especial” dado aos jovens, com a atribuição do quarto lugar ao representante da Juventude Socialista, e a participação das mulheres (47% da lista).

“É um verdadeiro programa da Madeira”, disse Paulo Cafôfo, acrescentando que “é um programa em que o PS dá o contributo de abertura à sociedade civil, congregando os melhores, com as ideias certas para a solução dos problemas”. O candidato socialista elege como setores primordiais a saúde o emprego, a educação e a habitação.

“O que tem acontecido na região é que a falta de alternância democrática tem impedido o desenvolvimento e é preciso romper esse impedimento com outro governo, outras ideias, outro projeto”, sublinhou, dizendo que durante a campanha eleitoral vai privilegiar o contacto direito com a população.

Paulo Cafôfo tem 48 anos é licenciado em História e foi dirigente do Sindicato dos Professores da Madeira. Iniciou-se na atividade política nas autárquicas de 2013, quando encabeçou a lista da Coligação Mudança, que venceu a Câmara Municipal do Funchal, derrotando o PSD após mais de quatro décadas de governação ininterrupta.

Nas eleições regionais de 2015, o Partido Socialista elegeu cinco deputados, num total de 47 que compõem a Assembleia Legislativa da Madeira.

PAN ressurge na região e quer eleger dois deputados

O PAN ressurgiu na Madeira e estabeleceu a meta de eleger um grupo parlamentar “com pelo menos dois deputados” nas eleições legislativas regionais, considerando que as maiorias “não são benéficas para a democracia”, afirmou o cabeça de lista.

“O objetivo é ter um grupo parlamentar que passe, no mínimo, por dois deputados”, disse o advogado madeirense João Henrique de Freitas, numa entrevista à agência Lusa sobre regionais, agendadas para 22 de setembro. Com 56 anos, o candidato e ativista dos direitos dos animais admitiu que levou dois meses para decidir se aceitava o convite para integrar este projeto político.

O candidato recorda que o partido Pessoas, Animais e Natureza “estava dissolvido” na Madeira desde 2017, depois de ter conseguido eleger um deputado para a Assembleia Legislativa da região em 2011. “Agora tropecei neste projeto do PAN”, declarou, sustentando que o objetivo traçado para as regionais “é perfeitamente alcançável”, devido à “recetividade fora da campanha” que tem recebido e ao crescimento do partido nas últimas Europeias, em maio.

João Henrique de Freitas salienta o resultado que obteve nas Europeias na Madeira (3.681 votos, sendo o quinto partido mais votado, à frente da coligação formada por PCP e PEV) e acrescenta estar convicto de que o “PAN vai crescer imenso nas próximas eleições nacionais”.

Na opinião do candidato, “destas eleições não sai nenhum governo maioritário”, o que considera “benéfico para a democracia na Madeira, pela primeira vez”, defendendo que as maiorias absolutas “acabam por ser algo antidemocrático, porque transformam-se em autoritarismos”.

João Henrique de Freitas também assegura que “se sair destas eleições um xadrez parlamentar que não permita haver uma governação, criando instabilidade na Madeira, o PAN, sendo um partido responsável, saberá assumir as suas responsabilidades, desde que “as suas causas” sejam defendidas. O responsável está consciente que esse cenário político “não será uma negociação muito fácil”, assegurando que o PAN não está disposto a “ceder muito facilmente”.

Sobre as bandeiras do partido, enunciou como a “menina dos seus olhos” a saúde, o combate à corrupção e tráfico de influências, a luta contra pobreza e uma linha marítima entre a Madeira e o continente.

Quanto às questões tradicionais do PAN, referiu a proteção do ambiente, com as medidas de descarbonização, a aposta na agricultura biológica, incentivando os agricultores e baixando os preços.

A nível dos animais, o programa passa pela criação de uma clínica veterinária pública e um centro de esterilizações.

Quanto à campanha eleitoral, informou que será “o mais sóbria possível”, com recurso às redes sociais, sem caravanas, cartazes ou ‘outdoors’, por respeito à matriz ambiental do partido, sem envolvimento “em polémicas e tricas”, apenas recorrendo ao contacto com as pessoas na rua e distribuição panfletos, sendo usados papéis reciclados e tintas ecológicas.

João Henrique de Freitas defendeu ainda uma lei de incompatibilidades, criticando a postura “de brincadeira” e irresponsabilidade de alguns parlamentares na região.

Abracei esta missão porque acho que todos temos um desígnio e quero sair desta vida com a consciência de que fiz alguma coisa pela terra no seu global. É isso que me move, não o poder, que pouco me importa, o dinheiro ou o lucro, mas são efetivamente as causas”, concluiu o cabeça de lista do PAN.

Nas últimas legislativas regionais, em 2015, o PAN concorreu coligado com o PS, PTP e MPT, tendo estes partidos obtido 14.573 votos (11,43%), o que permitiu a eleição de seis deputados.

Aliança considera “estruturante” a eleição de um grupo parlamentar

O cabeça de lista do Aliança às eleições legislativas da Madeira, Joaquim Sousa, considera que seria “estruturante” para o partido a eleição de um grupo parlamentar e destaca não haver “um único político profissional” entre os candidatos.

“São cidadãos que querem participar”, realçou o candidato em entrevista à agência Lusa, sublinhando que há necessidade de “mudar um bocadinho” os atores políticos na região autónoma, substituindo-os por pessoas que encarem a atividade política não como uma “profissão a longo prazo”, mas como uma “participação política”.

Joaquim Sousa explicou que o Aliança se apresenta como um “partido personalista”, encarando cada pessoa como um “caso isolado” e não como um “número de estatística”, e colocando o foco geral nas questões da Educação, Saúde e Ambiente.

“Era estruturante para este projeto conseguir ter a confiança dos madeirenses para elegermos um grupo parlamentar”, sublinhou, mostrando também abertura para apoiar um possível governo minoritário, desde que o projeto coincida com o do partido.

Em sede de parlamento tudo é negociável e o compromisso que temos é cumprir e fazer cumprir o nosso programa de governo”, disse Joaquim Sousa.

O cabeça de lista do Aliança às regionais de 22 de setembro vincou que os deputados do partido serão “deputados da Região Autónoma da Madeira” e, nesse caso, o “compromisso com a governabilidade” será sempre o de apoiar um executivo que defenda os mesmos projetos.

“Não temos pretensão de ir para governo, a não ser que ganhemos as eleições”, esclareceu, referindo que está sobretudo interessado em empenhar-se num “real e verdadeiro” debate de programas durante a campanha eleitoral.

Joaquim Sousa tem 45 anos e é professor, um dos motivos por que se afirma comprometido com a Educação, mas também com a liberdade e a democracia e com todas as áreas sociais, em particular com a Saúde e o Ambiente. “Aquilo que acima de tudo nos preocupa no partido Aliança é encontrar um conjunto de soluções para a nossa vida enquanto comunidade”, disse.

E reforçou: “Não quero que os meus filhos vivam numa redoma, mas que brinquem com meninos de todas as proveniências e que não venham para casa dizer que aquele menino não tem comida em casa, aquele menino não tem um brinquedo, o pai daquele menino está desempregado”.

MPT quer ressurgir e eleger representação parlamentar

O Partido da Terra – MPT teve de abandonar a coligação com a Aliança nas eleições da Madeira, vai concorrer sozinho, trabalhar para renovar a confiança do eleitorado e eleger um deputado, afirmou o cabeça de lista.

“Neste momento, a coligação não se proporcionou e, por isso, temos de agora partir para uma luta individual dedicada às pessoas e associações”, disse Válter Rodrigues, numa entrevista à agência Lusa sobre o projeto de candidatura do MPT.

Inicialmente, o MPT ia apresentar uma lista coligado com o Aliança, um projeto denominado ‘Unidos pela Madeira’, mas o Tribunal Constitucional rejeitou esta pretensão por motivos ligados à utilização dos símbolos dos dois partidos.

“Basicamente, depois de o TC ter dito [divulgado a decisão], numa hora conseguimos por tudo pronto e entregar as listas a sete minutos do prazo final, as 18h00”, no dia 13, salientou.

Válter Rodrigues, um empresário de 38 anos ligado ao ramo da informática, é responsável pela comissão que reinstalou o MPT na Madeira, e vai concorrer como independente, mencionou.

“O MPT tem sempre a suas linhas ecológicas e humanistas”, destacou, salientando que o objetivo é trabalhar com as pessoas, visando “criar a confiança” para que votem no partido, mostrando que ele “está aqui outra vez”.

Sobre os objetivos eleitorais, o candidato considerou que o partido “não pode ter expectativas” e tem de trabalhar, embora tenha “confiança na eleição de um deputado”. “Posso dizer que vamos trabalhar para termos representação”, sublinhou.

Questionado sobre a possibilidade de, pela primeira vez na região, nenhum partido obter a maioria absoluta, o candidato do MPT argumentou que essas perspetivas são tudo “especulações muito grandes”, que não traduzem a realidade, nem são fiáveis em termos de elementos, locais de inquérito e “só a 22 de setembro” é que tudo ficará definido. Mas, “as sondagens são boas, apelam ao voto”, disse, defendendo que “todos os partidos devem apresentar os seus projetos com dignidade e discutir.

“Quanto mais esclarecermos a população dos projetos políticos mais esta pode acreditar”, afirmou. O cabeça de lista sustentou também que o objetivo do MPT é “apoiar as leis que ajudem a população da Madeira e Porto Santo a ter mais dignidade”.

Questionado sobre eventuais coligações respondeu: “A nossa linha de defesa não quer dizer que vamos para a esquerda ou para a direita, somos ao centro, temos os nossos próprios projetos, temos as nossas próprias capacidades e é isso que temos de mostrar à população, que somos capazes”.

As linhas ecológicas do partido, a importância da região azul e das sociedades verdes são as principais bandeiras do MPT, que programou uma campanha eleitoral denominada “zero, sem lixos e sem desperdícios”.

Válter Rodrigues sublinhou ainda que não podia deixar desaparecer “um partido que tem uma existência de 10 anos na Madeira, que já teve representação parlamentar”.

Alguns filiados já voltaram e estão nas listas e o partido vai começar a crescer novamente. Penso que a população vai acreditar”, concluiu.

Nas últimas legislativas regionais, em 2015, o MPT concorreu coligado com o PS, PTP e PAN, tendo a coligação obtido 14.573 votos (11,43%) e eleito seis deputados.

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