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Hong Kong

Governo de Hong Kong anuncia plataforma de diálogo após protesto pacífico

Carrie Lam disse que tanto ela como os membros do Executivo que lidera estão "comprometidos em ouvir o que as pessoas têm a dizer".

Lam recusou avançar com um inquérito independente para investigar a alegada violência policial

JEROME FAVRE/EPA

O Governo de Hong Kong anunciou esta terça-feira a criação de uma “plataforma de diálogo” com “pessoas de todas as áreas sociais”, dois dias após um protesto pacífico que juntou, segundo a organização, 1,7 milhões de pessoas.

Em conferência de imprensa, a chefe do Executivo, Carrie Lam, disse que tanto ela como os membros do Executivo que lidera estão “comprometidos em ouvir o que as pessoas têm a dizer”, e que o farão “de maneira muito sincera e humilde”.

Lam informou que a plataforma vai ser criada de imediato, mas recusou avançar com um inquérito independente para investigar a alegada violência policial, uma das reivindicações dos manifestantes.

No domingo, o protesto que começou no parque Vitória juntou, segundo a organização, mais de 1,7 milhões de pessoas, o segundo maior desde que as manifestações começaram em junho na região administrativa especial chinesa.

Em 9 de junho, a organização contabilizou um milhão de pessoas, em 12 de junho meio milhão e em 16 de junho dois milhões, praticamente um terço da população de Hong Kong.

A Frente Cívica de Direitos Humanos, movimento que tem liderado os protestos pró-democracia em Hong Kong, já veio dizer que o derradeiro objetivo dos protestos passa por garantir o sufrágio universal no território. Os protestos que duram há nove semanas focaram-se inicialmente na rejeição das emendas propostas pelo Governo à lei da extradição, que permitiria a extradição de suspeitos para a China. A lista de reivindicações tem sido alvo de ajustes.

Os manifestantes exigem a retirada definitiva da lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial, a demissão da chefe do Executivo, Carrie Lam, e sufrágio universal nas eleições para chefe do Executivo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

O protesto visou aumentar a pressão sobre o Governo de Hong Kong, num momento em que Pequim mobilizou milhares de tropas na cidade vizinha de Schenzen, fazendo crescer os receios de uma intervenção chinesa.

Há mais de dois meses que Hong Kong é palco de protestos, marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, que tem usado balas de borracha, gás pimenta e gás lacrimogéneo. Em 1 de julho, alguns manifestantes invadiram mesmo o parlamento de Hong Kong.

Mais recentemente, o aeroporto de Hong Kong foi palco de manifestações, com as autoridades a serem obrigadas a cancelar centenas de voos numa das infraestruturas aeroportuárias mais movimentadas do mundo.

A transferência de Hong Kong para a República Popular da China, em 1997, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”, precisamente o que os opositores às alterações da lei da extradição garantem estar agora em causa. Para aquela região administrativa especial da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

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