O Tribunal de Matosinhos agendou para 10 de setembro um novo julgamento relacionado com o acidente fatal para o cantor Angélico Vieira, mais concretamente com a alegada falsificação do contrato de compra e venda do BMW 635 em que seguia.

O Ministério Público de Aveiro decidiu que a morte de Angélico Vieira – ocorrida após acidente num troço da A1 em Estarreja, Aveiro, em junho de 2011 – ficaria sem qualquer responsabilização criminal, mas sucederam-se processos correlacionados com o caso, como este de Matosinhos, em que o dono de um stand da Póvoa de Varzim e a ex-mulher são suspeitos, nomeadamente, de forjarem o contrato de compra e venda do carro após o acidente.

Segundo o Ministério Público, os arguidos “quiseram afastar qualquer responsabilidade que pudesse recair sobre a sociedade pelo empréstimo do veículo sem seguro”. Quiseram, ainda segundo a acusação, burlar a mãe do cantor, Filomena Angélico, ficando com outros carros que eram de facto do cantor, além do remanescente da venda de outra viatura de Angélico Vieira.

Em causa estão, por isso, os crimes de abuso de confiança qualificada e falsificação de documentos agravada, traduzidos na falsificação do contrato de compra e venda do BMW 635.

Apesar de arquivar o processo-crime principal relativo ao acidente, em novembro de 2016, o Ministério Público de Aveiro encontrou motivos para enviar ao congénere de Póvoa de Varzim/Vila do Conde uma certidão de declarações indiciadoras de que falsificaram a assinatura de Angélico Vieira num documento de venda do BMW 635D guiado pelo ator e cantor aquando do fatal acidente.

As suspeitas de falsificação foram lançadas pela própria mãe do antigo vocalista da banda D’Zrt em declarações no âmbito do processo para apuramento de eventuais responsabilidades criminais associadas ao acidente da madrugada de 25 de junho deste ano.

Filomena Angélico foi citada como tendo dito que as assinaturas apostas nos documentos referentes à aquisição do BMW 635D “não são do seu filho”.

O cantor e ator Angélico Vieira morreu no Hospital de Santo António, no Porto, dias após o acidente que ocorreu na A1, em Estarreja, em junho de 2011, provocando também a morte do passageiro Hélio Filipe e ferimentos nas ocupantes Armanda Leite e Hugo Pinto.

As autoridades concluíram que a viatura se despistou na sequência do rebentamento de um pneu, na altura em que o veículo seguia a uma velocidade entre 206,81 e 237,30 quilómetros horários e realçam que Angélico, assim como o outro passageiro da frente, seguiam com cinto de segurança.