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Detenções

Polícia de Macau nega detenções em local onde proibiu protesto solidário com Hong Kong

A PSP confirmou o reforço policial na zona "para manter a ordem" e que "levou sete indivíduos suspeitos para o Comissariado". No entanto, todos "saíram após investigação".

Pelo menos meia centena de polícias posicionou-se em todas as zonas de acesso à praça do Leal Senado, na segunda-feira

A polícia de Macau negou esta terça-feira a detenção “de qualquer indivíduo” numa operação, na segunda-feira, num local onde tinha sido proibido um protesto para condenar a violência usada pelas forças de segurança de Hong Kong.

Numa resposta enviada à agência Lusa, a PSP confirmou o reforço policial na zona “para manter a ordem” na praça do Leal Senado e que “levou sete indivíduos suspeitos para o Comissariado da Zona Norte para o efeito de identificação”. Segundo a força de segurança, quatro das pessoas são residentes de Macau, dois do interior da China e um de Hong Kong, sendo que “os referidos indivíduos saíram após investigação”.

Na segunda-feira à noite, pelo menos meia centena de polícias posicionou-se em todas as zonas de acesso à praça do Leal Senado, no centro de Macau, apoiados por várias carrinhas, onde foi possível ver elementos de intervenção especial munidos de escudos.

As forças de segurança, que no final da semana passada tinham proibido a vigília em Macau, identificaram sobretudo jovens, em especial quando envergam ‘t-shirts’ pretas, a cor usada pelos manifestantes antigovernamentais e pró-democracia em Hong Kong.

Na semana passada, a PSP de Macau alegou que não podia autorizar uma iniciativa de apoio ao que considerou serem “atos ilegais” de “alguns manifestantes radicais” como os ocorridos no território vizinho, também uma região administrativa especial chinesa.

Autorizar a realização de uma manifestação desta natureza, sublinhou a PSP, numa resposta enviada à Lusa, “poderia enviar uma mensagem errada à sociedade de Macau”, com as pessoas a poderem vir a expressar reivindicações em oposição à lei do território, com previsível impacto na segurança pública e no Estado de Direito.

Os protestos em Hong Kong, que duram há mais de dois meses, têm sido marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia. Contudo, no passado domingo, não se registaram violências numa manifestação que, segundo a organização, juntou 1,7 milhões de pessoas e que teve uma marcha não autorizada pelas ruas da cidade durante mais de cinco horas.

A questão da brutalidade policial em Hong Kong começou após os protestos de 12 de junho, na sequência de uma intervenção das forças de segurança que usaram pela primeira vez gás lacrimogéneo e balas de borracha, uma prática que, entretanto, se vulgarizou.

A realização de um inquérito independente à atuação da polícia é uma das cinco reivindicações que constam da lista dos manifestantes e da Frente Cívica de Direitos Humanos, movimento que agrupa 15 organizações não-governamentais e partidos políticos.

Esta manhã, a chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou a criação imediata de uma “plataforma de diálogo” com “pessoas de todas as áreas sociais”, mas recusou avançar com um inquérito independente para investigar a alegada violência policial.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”, precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

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