A prestação de Joe Berardo na comissão parlamentar de inquérito à gestão da Caixa Geral de Depósitos, em maio último, valeu ao comendador vários boicotes nas redes sociais aos vinhos a ele associados. A garrafeira e loja gourmet BacoAlto, como o Observador noticiou em primeira mão, deixou inclusive de vender os vinhos das marcas com o cunho de Berardo. Apesar disso, dados mais recentes relativos aos híper e supermercados, divulgados esta terça-feira pelo Jornal de Negócios, mostram que o grupo detido pelo empresário tem crescido e subiu ao terceiro lugar nas opções de compras vínicas dos portugueses.

Os dados citados fazem parte de um índice feito pela consultora Nielsen, a que o jornal já citado teve acesso, e remetem para o ano móvel que terminou em junho de 2019. O índice mostra que nos últimos 12 meses a Bacalhôa, empresa de Azeitão, vendeu 8 milhões de euros nas garrafas de 750 ml, roubando assim o lugar à Carmin – Cooperativa Agrícola De Reguengos De Monsaraz (que caiu para a 7.ª posição). A Bacalhôa ficou em terceiro lugar, à frente da Quinta da Aveleda (4.º) e do Esporão (5.º).

De referir que neste raking a Aliança, empresa bairradina também ela associada a Joe Berardo, surge autonomamente. Apesar disso, não há alteração na lista que continua a ser liderada pela gigante Sogrape — que no último ano vendeu 18,8 milhões de euros em vinho. Em segundo lugar fica a Adega de Pegões, da Península de Setúbal, que vendeu 13,6 milhões entre julho de 2018 e junho de 2019.

O Jornal de Negócios destaca ainda outro ponto a favor para os vinhos de Berardo. À parte das marcas próprias presentes na grande distribuição, o JP Azeitão da Bacalhôa recupera ao fim de três anos o “título de marca mais vendida”, superando o Casal Garcia, o Monte Velho e o Porta da Ravessa. Este vinho em particular representa 57% nas vendas de quase 9 milhões de euros correspondentes às duas empresas de vinho de Berardo nos supermercados do país. Note-se que os híper e supermercados concentram, segundo este jornal, mais de metade das vendas no país.

Em 1998, o empresário tornou-se no principal acionista da Bacalhôa. Quase dez anos depois, em 2007, a Bacalhôa tornou-se na maior acionista da Aliança, produtor bairradino de espumantes de grande prestígio, também autor de aguardentes e vinhos de mesa. Mais um ano, mais uma aquisição, com o grupo a comprar a alentejana Quinta do Carmo em 2008.

Da Bacalhôa Vinhos de Portugal, S.A. faz ainda parte a Quinta dos Loridos, há muito ligada à produção de espumantes, que deixou de produzir vinho em 2014. Entre Bacalhôa, Aliança e Quinta do Carmo estão cerca de 60 referências de vinho, dos quais o mais conhecido é o JP Azeitão.

Em tempos, Joe Berardo chegou a ter uma participação de cerca de 30% do capital da também produtora de vinhos Sogrape, percentagem que, ao fim de seis anos marcados por batalhas judiciais, acabou por vender à família Guedes, os principais acionistas daquela empresa.