“Porque é que o Alberto João deixou o seu exílio e veio outra vez para cima de um palco?, perguntam vocês”. Foi com esta questão que Alberto João Jardim iniciou a sua intervenção durante um comício do Partido Social Democrata (PSD) no Pico dos Barcelos, no Funchal. O “exílio” a que se referia o antigo presidente do Governo Regional da Madeira diz respeito aos cinco anos em que esteve ausente de comícios.

Agora que voltou, Jardim explica porquê: “No último Chão da Lagoa despedi-me e fui para o meio do povo, mas hoje as coisas estão mais graves, porque António Costa nomeou uma série de gente que não tem capacidade, conhecimento nem competência para governar a Madeira. E afastou o que tinha de melhor o Partido Socialista. Aqui é que está a gravidade”, disse, citado pelo Diário de Notícias da Madeira. Para Alberto João Jardim está em jogo “a escolha entre autonomia e o colonialismo“.

O que está em jogo é escolher entre uma política de desenvolvimento que fizemos durante 40 anos, que criou uma grande classe média na Madeira, quando antes ela não existia, que criou empregos, e do outro lado um modelo de domínio de sociedade que eles nos querem impor: é subsídios, é esmolas”, atirou ainda.

O discurso virou-se, logo de seguida, para uma crítica a António Costa, ao Partido Socialista (PS) e às suas intenções na Madeira. “O ‘venerando’ António Costa arrasou por completo o que era a máquina e o melhor que tinha o Partido Socialista e vai buscar pessoas que não têm competência, que não têm qualidade para governar a Madeira”, referiu Aberto João Jardim, acusando ainda o primeiro-ministro de querer subjugar a Madeira a Lisboa, porque “apostou que havia de dominar a Madeira e tomar conta dos madeirenses”. “Se durante 40 anos resistimos a Lisboa, é altura também de continuar a resistir”, defendeu, apelando: “Que haja juízo e bom senso e não estraguemos o trabalho de 40 anos”.

Para o ex-governante, os madeirenses devem perguntar a António Costa, quando vier à Madeira para a rentrée política a 31 de agosto, se é ou não pelo aprofundamento da autonomia. Jardim aproveitou ainda a altura da greve dos motoristas de matérias perigosas, e toda a mediatização e intervenção do Governo, para atacar: “É o truque deles, que fazem sempre isto”.

Lembram-se no tempo do Guterres, o ineficiente secretário-geral das Nações Unidas, em que houve umas eleições socialistas, ou melhor eles estavam no Governo, e eles só falavam de Timor? Não havia mais nada em Portugal. Timor, Timor, Timor, Timor. E deu para eles fazerem as eleições. A seguir, com o mesmo Guterres, falece Amália Rodrigues e durante aqueles dias todos falou-se da Amália Rodrigues. O Partido Socialista é assim vigarista, vigarista. Agora não havia Amália Rodrigues e Timor. Esta cena é o habitual sempre que há eleições”, acusou Alberto João Jardim.

Nas eleições para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira a 29 de março de 2015 e segundo o mapa oficial da Comissão Nacional de Eleições (CNE), o PSD, de Miguel Albuquerque, conquistou a 11.ª maioria absoluta ao obter 56.574 votos (44,36%), elegendo 24 dos 47 mandatos no parlamento regional. O PSD é poder na Madeira há 43 anos, 37 dos quais sob a liderança do ex-presidente do Governo Regional e presidente honorário do partido, Alberto João Jardim.