Portugal registou um défice nas contas externas de 2.600 milhões de euros até junho, um agravamento de 922 milhões de euros face ao registado no mesmo período de 2018, divulgou esta quarta-feira o Banco de Portugal.

O défice acumulado conjunto das balanças corrente e de capital fixou-se em 2.600 milhões de euros até junho, 922 milhões de euros acima do défice de 1.678 milhões de euros registado em igual período de 2018, informou hoje o banco central na nota de informação estatística sobre a evolução da balança de pagamentos de junho.

“Para esta evolução contribuiu, sobretudo, a balança de bens”, explica o supervisor, adiantando que, face a junho de 2018, o défice da balança de bens aumentou 1.727 milhões de euros e o excedente da balança de serviços não se alterou.

O BdP explica que, nos primeiros seis meses do ano, as exportações de bens e serviços aumentaram 3,3% (2,4% nos bens e 5,2% nos serviços), abaixo do aumento de 7,3% das importações (6,8% nos bens e 9,9% nos serviços).

No entanto, o défice acumulado conjunto das balanças corrente e de capital melhorou em junho face ao mês anterior, uma vez que, até maio, tinha-se fixado nos 2.614 milhões de euros.

De salientar que a balança corrente mede as receitas e pagamentos ao exterior pela troca de mercadorias, serviços, rendimentos e transferências. Ou seja, junta os saldos de três outras balanças: a balança de bens e serviços, que inclui o turismo; a balança de rendimentos, onde se incluem salários, lucros e juros; e a balança de transferências correntes, como remessas de migrantes.

Relativamente ao défice da balança de rendimento primário, registou uma redução homóloga de 404 milhões de euros para 3.207 milhões de euros até junho, uma variação que “resultou, principalmente, da redução dos juros pagos a entidades não residentes”, segundo o BdP. A balança de pagamentos é constituída pela balança corrente, balança de capital e balança financeira.

Até junho de 2019, o saldo da balança financeira registou uma redução dos ativos líquidos de Portugal face ao exterior de 2.169 milhões de euros, uma evolução que “resultou do aumento dos passivos, e reflete o investimento de não residentes em sociedades não financeiras residentes e em obrigações do tesouro”, explica o banco central.

Contudo, o BdP adianta que este efeito foi parcialmente compensado pelo aumento de ativos financeiros no exterior, com destaque para o investimento dos bancos residentes em títulos de dívida emitidos por não residentes.