“American Factory” (“Uma Fábrica Americana”), a primeira produção da Higher Ground, a empresa criada no ano passado por Barack e Michelle Obama, já se encontra disponível na Netflix. O filme tem recebido boas críticas e venceu, este ano, o prémio de melhor documentário no RiverRun International Film Festival.

A produção de cerca de duas horas centra-se nos trabalhadores norte-americanos da antiga fábrica da General Motors em Moraine, no Ohio, que, depois de fechar portas em 2008, foi comprada por uma empresa chinesa, a Fuyao Glass America, que produz vidro para automóveis. Apesar da esperança que a reabertura da fábrica provocou em Moraine, esta acabou por provocar um choque entre culturas, o foco do filme realizado por Steven Bognar e Julia Reichert.

Numa curta conversa com os realizadores de “American Factory”, os Obama explicaram que decidiram investir na indústria do cinema porque querem manter uma ligação com as pessoas e que, para isso, é “preciso conhecê-las”, saber a sua história.

“Queremos que as pessoas consigam afastar-se de si próprias e experienciar e perceber as vidas dos outros”, disse o ex-presidente dos Estados Unidos da América que, num tweet publicado nesta quarta-feira, data em que o documentário chegou à plataforma de streaming, escreveu que “uma boa história dá-nos a oportunidade de compreender a vida de outra pessoa. Pode ajudar-nos a encontrar algo em comum”.

Também no Twitter, Michelle Obama afirmou que ela e o marido querem “ajudar mais pessoas a encontrar a sua história nos outros. Foi por isso que fundámos a Higher Ground Productions”.

De acordo com a Reuters, os Obama já decidiram que projetos irão apadrinhar a seguir. Entre estes conta-se a adaptação do livro de David W. Blight sobre o abolicionista Frederick Douglas, Prophet of Freedom, que venceu este ano o prémio Putlizer na categoria de História, um drama passado no mundo da moda e uma série para crianças sobre alimentação saudável. O contrato com a Netflix prevê ainda a curadoria e compra de conteúdos para a plataforma de streaming. Não são conhecidos os valores envolvidos no negócio.