Há um ano, por volta desta altura, Cristiano Ronaldo estava a começar a primeira temporada na Juventus, a primeira temporada em Itália e a primeira temporada em quase dez anos em que não trocou a camisola do Real Madrid por outra. As expectativas eram simples: garantir o oitavo título nacional consecutivo, ser favorito em todas as competições internas e continuar a lutar pela Liga dos Campeões, que escapa à equipa italiana desde 1996 e cuja conquista foi a principal motivação para a contratação do jogador português. O primeiro golo tardou a aparecer, o primeiro troféu foi a Supertaça italiana, o campeonato estava decidido a um mês do final da competição, a Taça de Itália escapou e a Liga dos Campeões tornou-se uma miragem graças ao surpreendente Ajax.

A primeira temporada de Cristiano Ronaldo em Itália esteve longe de ser totalmente perfeita. Para além do fracasso na Champions e da queda logo nos quartos de final, a chegada do capitão da Seleção Nacional a Turim roubou espaço a Dybala, que de referência na época anterior passou agora a negociável durante todo o verão, e tirou preponderância a Mandzukic, que apesar de ser o jogador que melhor encaixa com Ronaldo foi fustigado por lesões ao longo do ano e também esteve perto de sair nas últimas semanas. O internacional português fechou a temporada com 28 golos — pela primeira vez em dez anos, não chegou aos 30 — e foi para a Seleção, onde conquistou a Liga das Nações e juntou mais um troféu ao palmarés. Passou um ano. E este sábado, contra o Parma de Bruno Alves, Cristiano Ronaldo começava de forma oficial a segunda época na Juventus.

Os objetivos são os mesmos: garantir o nono título nacional consecutivo, ser favorito em todas as competições internas e lutar, novamente e como sempre, pela Liga dos Campeões que escapa há 23 anos. E para isso, substituiu Massimiliano Allegri por Maurizio Sarri — que não estava no banco de suplentes por ter sido diagnosticado com pneumonia –, reforçou o setor intermédio e a defesa e recuperou parte da identidade com o regresso de Buffon. Este sábado, perante o Parma, a Juventus tinha algo que faltou durante grande parte da temporada passada: um banco de suplentes. Tinha opções para todos os quadrantes e a verdade é que, se colocados em campo, os jogadores que eram à entrada da visita ao Parma suplentes podiam formar naturalmente uma equipa titular de qualquer clube português. Além de Buffon, Sarri tinha como soluções Dybala, Mandzukic, Rabiot, Bentancur, Bernardeschi, De Ligt e ainda Juan Cuadrado.

Bruno Alves foi titular do lado do Parma e envergou a braçadeira de capitão da equipa italiana

No onze inicial, que contava com Cristiano Ronaldo a tombar no corredor direito na frente de ataque, estavam Higuaín e Douglas Costa na frente, Pjanic, Khedira e Matuidi no meio-campo, a dupla Bonucci e Chiellini na defesa e os laterais Alex Sandro e De Sciglio. Do outro lado, Bruno Alves era titular e capitão no eixo defensivo do Parma. A Juventus dominou praticamente toda a primeira parte, sempre com a linha inicial de construção muito subida no terreno, Higuaín em destaque e Douglas Costa a procurar muito jogo interior, normalmente nas costas do argentino, o que abria espaço não só a Matuidi como a Alex Sandro, que exploravam a profundidade na ala esquerda.

A primeira oportunidade de golo apareceu aos 12 minutos, com Cristiano Ronaldo a cabecear por cima depois de um cruzamento a partir da direita, e teve resposta imediata por parte do Parma, que no minuto seguinte esteve perto de inaugurar o marcador — apesar de ser a Juventus a controlar as operações, a equipa de Bruno Alves conseguia incomodar com transições rápidas, principalmente em contra-ataque, e assentava na velocidade de Gervinho para tentar criar perigo. A equipa de Sarri chegou à vantagem num lance de insistência, depois de um canto batido na direita que a defesa do Parma afastou para a entrada da grande área: Alex Sandro rematou, Bonucci desviou e acabou por Chiellini, na zona da pequena área, a dar o último toque que bateu Sepe (21′). Ronaldo voltou a ficar perto do golo ainda antes da meia-hora, ao aparecer na direita para rematar ao lado na diagonal depois de dominar com o peito (29′), e conseguiu acertar na baliza cinco minutos depois — o avançado português recebeu a bola já na área, depois de uma arrancada de Douglas Costa, puxou para dentro e depois para fora para deixar Bruno Alves fora da jogada e rematou rasteiro, sem hipótese para o guarda-redes (34′). O golo, contudo, foi anulado por fora de jogo de Ronaldo na altura do passe.

Na segunda parte, a Juventus tirou o pé do acelerador e concedeu algum espaço ao Parma, que ainda assim não conseguiu criar muitos problemas à defesa bianconeri. Cristiano Ronaldo voltou a beneficiar de várias ocasiões para marcar, ainda que no segundo tempo tenha povoado mais a faixa central e aparecido mais junto à esquerda, o corredor oposto àquele que ocupou na primeira parte, mas não conseguiu chegar ao primeiro golo da temporada em jogos oficiais. A Juventus venceu pela margem mínima e agarrou os três pontos iniciais da época — ainda que tenha vários pontos para melhorar, principalmente no setor intermédio, onde a clareza de Rabiot irá com toda a certeza acabar por ganhar espaço e um lugar cativo no meio-campo da equipa de Maurizio Sarri. Nesta altura, o destaque positivo vai para Higuaín, que realizou uma exibição competente e distinta, sempre muito móvel entre Ronaldo e Douglas Costa, à procura de receber jogo mas também muito oportuno nas movimentações sem bola, abrindo espaço para os colegas de equipa ao arrastar adversários.

Cristiano Ronaldo precisou de 300 minutos na temporada passada para se estrear a marcar pela Juventus, num prolongado adiar do primeiro golo que acabou por ganhar destaque na atualidade do futebol internacional. Esta época, depois de ter sido o segundo melhor marcador da Serie A, o avançado português voltou a arrancar sem golo e com alguma frustração — que não escondeu sempre que desperdiçou uma oportunidade. Passou um ano, passaram dois troféus e a desilusão da Champions: e o relógio que aguarda pelo golo recomeçou.