Rádio Observador

Ambiente

“Manto verde” torna rio Sorraia instransitável. Praga de jacintos vai demorar a desaparecer

112

O rio está a ser afetado por uma praga de jacintos de água, entre Coruche e Benavente. Açude construído em julho para criar uma represa de água doce estará a impedir que sigam para o mar.

MÁRIO CRUZ/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Redes de pesca presas e um rio intransitável devido à praga de jacintos de água são as principais queixas dos pescadores que retiram sustento do rio Sorraia, um problema que tem solução à vista, mas que não será imediata.

“Conheço o rio há 50 e qualquer coisa anos. Sempre usufruí do rio tanto na pesca como no lazer”, contou à agência Lusa um dos fundadores do movimento “Juntos pelo Sorraia”, Alberto Santos.

A fauna e a flora deste rio, entre Coruche e Benavente, no distrito de Santarém, estão a ser afetadas por uma praga de jacintos de água, fenómeno que Alberto Santos relaciona com o abandono do Sorraia ao longos dos anos e com o “bloqueio do rio”.

Em 24 de julho foi construído um açude no rio Sorraia devido à necessidade de se criar uma represa com água doce porque a produção agrícola naquela zona estava em risco por as águas apresentarem um elevado nível de salinidade.

Os jacintos que era suposto, com as marés, irem para o mar, começaram a ficar acumulados juntos a este dique que fizeram”, lamentou o membro do movimento cívico.

O açude foi, entretanto, desmantelado causando o arrastamento de uma parte destas plantas infestantes.

Os pescadores que vivem junto à margem do Sorraia, na vila de Porto Alto, no concelho de Benavente, partilham da opinião de Alberto Santos e sublinharam que esta praga tornou impraticável a navegação pelo rio.

As redes de pesca ficaram presas, dificultando o trabalho destes profissionais, que preferiram não se identificar, e que vincaram que têm passado grande parte do tempo a retirar os jacintos de água que ficaram agarrados.

Através de uma viagem de barco, a Lusa constatou que existem milhares destas plantas infestantes ao longo do rio, que cobrem quase toda a superfície do Sorraia e dificultam a travessia.

Juntaram-se ali alguns quilómetros de jacintos. Foi uma massa enorme de jacintos que foi libertada [pelo desmantelamento do açude] sem qualquer tipo de controlo”, criticou Alberto Santos.

Apesar de considerar que o movimento “Juntos pelo Sorraia” também deve ser ouvido na tomada de decisões, Alberto Santos considera que o “que importa mesmo é que se arranje uma solução para o problema”, que não é apenas dos pescadores.

“Há zonas onde os jacintos já impossibilitam alguma captação de água para a agricultura”, vincou.

Questionados pela Lusa sobre qual seria a solução para este problema, os pescadores do Sorraia apontaram “uma barreira” que pudesse juntar as plantas numa das margens.

Já o membro do movimento cívico é a favor da retirada dos jacintos, mas diz que tem de ser mais regular: “Não é com limpezas pontuais que se resolve o problema. Tem de se ter um braço forte. O rio não pode ser deixado à sua sorte por dois, três ou quatro anos.”

O presidente da Câmara Municipal de Benavente, Carlos Coutinho (CDU), afirmou à Lusa que não se pode dizer que foi “um açude que potenciou” esta situação.

Esta praga de jacintos não é nova, é uma situação que já está introduzida no país há algum tempo”, explicou, acrescentando, contudo, que agora é “de grande urgência”.

Carlos Coutinho salientou que “um pequeno foco de jacintos” consegue multiplicar-se em pouco tempo e, em duas semanas, o rio está “cheio de jacintos”.

Por essa razão, remover estas plantas não tem um prazo definido: “Seguramente irá levar semanas, meses, para conseguirmos fazer esta remoção”.

“Estaremos a falar seguramente, para termos uma ideia, de mais de um milhão de metros cúbicos de jacintos que estarão a cobrir o rio nesta altura”, explicitou o autarca.

De acordo com o Plano de Remoção do Jacinto de Água do Rio Sorraia, a que a agência Lusa teve acesso, um só exemplar consegue produzir entre 50 a 70 novos jacintos “em apenas um mês”.

Para o presidente da Câmara de Coruche, Francisco Oliveira (PS), o fenómeno “tem a ver com o clima de seca ou, pelo menos, de menos caudal”, e que “é propício ao desenvolvimento desta planta”.

A remoção dos jacintos deverá começar em 27 de agosto e a intervenção vai ser tutelada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

No imediato vai haver uma intervenção musculada para aquelas zonas que têm mais a propagação do jacinto de água”, disse o autarca socialista.

Para o efeito, o plano de remoção destas plantas prevê a utilização de uma ceifeira aquática, duas giratórias, duas embarcações “com um a dois técnicos para remover manualmente as plantas presas na vegetação” e duas máquinas retroescavadoras “para apoio na margem”.

Durante a intervenção também vão ser instaladas quatro “barreiras de contenção” destas plantas infestantes.

Reconhecendo as críticas apontadas pelo movimento “Juntos pelo Sorraia” em relação à periodicidade na remoção destas plantas, Francisco Oliveira referiu que “não se pode fazer uma intervenção pontual, à semelhança daquilo que se tem vindo a fazer nos anos anteriores”.

“O objetivo é que possamos usufruir e fruir do nosso rio sem que tenhamos este problema de nos confrontar com este manto verde que cobre o nosso rio Sorraia, numa extensão muito grande”, finalizou.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)