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Sporting

“Como treinador, quero mais. Há mais possibilidades”. Keizer, um satisfeito crónico que está, finalmente, insatisfeito

Sempre criticado por nunca parecer chateado depois de perder ou empatar, Marcel Keizer está finalmente insatisfeito e quer mais do Sporting. "Não podemos estar eufóricos", disse o treinador holandês.

O treinador holandês visitou pela primeira vez o Portimonense

André Vidigal / Global Imagens

As fases más das equipas grandes têm normalmente, na ótica dos adeptos, três principais culpados: o presidente, o treinador e o avançado. O primeiro, porque escolheu o segundo; o segundo, porque escolheu o terceiro; e o terceiro, porque não faz golos suficientes para anular todos os que a equipa sofre. Aplicando esta lógica à realidade do Sporting pré-vitória com o Sp. Braga, os culpados da crise leonina eram Frederico Varandas, Marcel Keizer e Luiz Phellype. Se o presidente foi muito criticado depois das declarações algo disciplicentes depois da goleada sofrida com o Benfica na Supertaça e o brasileiro é normalmente acusado do facto simples de não ser Bas Dost, o treinador holandês foi nas últimas semanas acusado de errar (e tardar) nas substituições, de continuar a apostar em Diaby e não lançar Rafael Camacho ou Gonzalo Plata e de ter decidido, logo à partida, que Vietto e Bruno Fernandes não podiam coexistir.

Este domingo, contra o Portimonense, o Sporting venceu, subiu à liderança da Primeira Liga de forma provisória, Luiz Phellype marcou, Camacho e Plata continuaram sem jogar mas Vietto mostrou que afinal consegue jogar com o capitão leonino. Este domingo, ninguém se vai lembrar de Frederico Varandas. Marcel Keizer, porém, continua a ter de responder à flash interview e à conferência de imprensa no final de todas as partidas e torna-se por isso um protagonista quase acidental de tudo o que se passou dentro de campo: ainda que esta semana tenha adotado um discurso algo diferente do habitual.

Desde que chegou a Portugal, e provavelmente devido às limitações de não estar a falar na língua que lhe é intrínseca, Keizer tornou-se alvo de brincadeiras por repetir as frases good game, good passes, we can do better, bom jogo, bons passes, podemos fazer melhor, em português. Declarações algo vazias, de intenção e de significado, que se tornaram ainda mais problemáticas quando o treinador explicou — após a jornada inaugural, em que o Sporting não conseguiu mais do que um empate com o Marítimo — que os leões tiveram “uns bons seis minutos e meio”. Este domingo, Keizer mostrou uma vontade de ser, ter e criar melhor que ainda não tinha revelado.

“Estivemos fortes, não muito fortes, mas fortes. Estamos felizes com o resultado mas nesta equipa há mais possibilidades. Mas o resultado é bom, 1-3 fora de casa. Estou feliz pelos jogadores. Foi o melhor jogo da época mas nos outros jogos também tivemos partes muito boas. Mas como treinador quero mais do que isto e vamos continuar. Jogámos três jogos, não podemos estar eufóricos. Para nós é ver as coisas positivas deste jogo, treinar e continuar, porque ainda há um longo caminho pela frente”, garantiu o treinador holandês. Sobre Vietto, Keizer explicou então que tentou colocar o argentino “ao meio e Bruno na esquerda”. “Fizemos isto nos treinos, o Luciano [Vietto] está a melhorar e mostrou a sua qualidade. E também com Acuña por trás, porque resolve problemas defensivos e é uma boa combinação”, concluiu.

Em Portimão, o Sporting alcançou a melhor exibição da temporada e as duas primeiras vitórias consecutivas desde maio, no final da época passada. Os leões carimbaram também o golo mais rápido da Liga até agora, graças ao remate de Raphinha logo aos dois minutos, e assinaram um arranque absolutamente demolidor, com dois remates enquadrados, dois remates dentro de área, duas faltas sofridas, 83% dos duelos ganhos, 31 passes completos, 94% de eficácia de passe e 66% de posse de bola. Mais do que isso, o Sporting aproveitou o deslize do Benfica contra o FC Porto e o deslize dos dragões na jornada inaugural para se assumir enquanto “grande” ainda sem derrotas e saltar para a liderança, ainda que provisória, da classificação. É caso para dizer: good game, good passes, you’re doing better*.

*bom jogo, bons passes, estão melhores

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