Depois de escorregar na segunda jornada da Premier League, ao permitir um empate no Etihad ao Tottenham e deixar escapar Liverpool e Arsenal para a liderança da tabela, o Manchester City não podia pedir adversário melhor para iniciar o mini período de retoma necessário para voltar a somar vitórias na liga inglesa. O Bournemouth, que este domingo recebia a equipa de Guardiola, perdeu sempre com o City na Premier e sofreu um total de 25 golos, marcando apenas três.

Ainda assim, e sem arriscar, Guardiola colocava em campo aquele que é naturalmente o onze tipo dos citizens: com Zinchenko e Kyle Walker nas laterais das defesas, Otamendi e Laporte enquanto dupla de centrais, Gündoğan, De Bruyne e Silva no trio do meio-campo e Bernardo e Sterling, um em cada corredor, no apoio direto a Agüero. João Cancelo, que começava no banco de suplentes, entrou nos instantes finais e acabou por estrear-se na Premier League.

De forma natural, o Manchester City assumiu os desígnios da partida desde o apito inicial, colocando a linha inicial de construção praticamente no meio-campo e catapultando as transições para a frente sempre através de De Bruyne, que depois lateralizava para Bernardo ou Sterling à procura de espaço. Tanto o português como o inglês, ainda que sempre com mais preponderância no caso de Bernardo, buscavam jogo interior ao aparecer entre linhas e surgiam muitas vezes dentro da grande área, ao lado de Agüero, para responder aos cruzamentos de Zinchenko ou Walker, que subiam muitas vezes ao longo de todo o corredor.

Foi assim que o Manchester City acabou por conseguir chegar ao primeiro golo — após uma primeira enorme oportunidade para Bernardo, em que o português atirou ao lado — com Zinchenko a percorrer pela ala esquerda para depois cruzar rasteiro e atrasado para De Bruyne. O médio belga tentou rematar mas acabou por acertar nas orelhas da bola, assistindo sem querer Agüero, que atirou um quase penálti para o fundo da baliza do Bournemouth (15′). O golo acordou ligeiramente a equipa de Eddie Howe, que atuava com três centrais e muito recuada no terreno mas passou a apostar em King e Fraser a partir do momento em que ficou em desvantagem, procurando depois Wilson na frente.

Já depois de o lateral Charlie Daniels se lesionar gravemente — terá magoado um joelho, totalmente sozinho, enquanto fazia um cruzamento –, o Bournemouth ficou muito perto do golo graças a um erro de Otamendi: no seguimento de um cruzamento para o primeiro poste a partir da direita, o central ex-FC Porto recebeu no peito e deixou a bola à mercê de Adam Smith, que na cara de Ederson atirou muito por cima (39′). E no futebol inglês, tal como em todos os outros, quem não marca sofre: instantes depois, Bernardo construiu um lance a partir da direita, colocou em David Silva à entrada da grande área e o médio espanhol colocou a bola entre o central e o lateral, onde apareceu Sterling, que rematou de bico para aumentar a vantagem depois de uma receção que até deixou muito a desejar (43′).

Antes do intervalo, o jovem Harry Wilson — que está emprestado pelo Liverpool ao Bournemouth e entrou para substituir o lesionado Daniels — assinou um livre direto de belo efeito, com o pé esquerdo, reduzindo a desvantagem dos cherries nos instantes finais da primeira parte (45+3′). Na ida para os balneários, o golo de Wilson colocava alguma justiça no resultado, já que o Manchester City dominou durante grande parte do primeiro tempo mas permitiu uma subida no terreno por parte do Bournemouth mesmo antes do intervalo: o conjunto de Eddie Howe, que procurava então o primeiro resultado com os citizens que não fosse uma derrota, causou muitos problemas a Otamendi e Laporte e Guardiola precisava de fazer alguns ajustes antes do segundo tempo para não correr o risco de sofrer golpes inesperados.

O jovem de 22 anos tornou-se o jogador dos quatro principais escalões do futebol inglês a marcar mais golos de fora de área (11)

As duas equipas estiveram perto de marcar ao longo de dez minutos frenéticos no início da segunda parte, com Callum Wilson a permitir uma grande defesa a Ederson quando estava na cara do brasileiro (52′) e De Bruyne a rematar ao lado depois um entendimento fantástico com Agüero (53′). O Manchester City ficou a pedir uma grande penalidade sobre Silva, que foi derrubado no interior da grande área — depois de analisar o lance, o VAR decidiu que não tinha havido falta –, mas chegou ao terceiro golo que praticamente decidiu as contas pouco depois. Em mais uma incursão de David Silva a partir da esquerda e para dentro da grande área, Agüero acabou por beneficiar uma bola que o espanhol deixou redondinha à entrada da pequena área para fuzilar Ramsdale (64′).

O terceiro golo acabou por provocar uma quebra de rendimento por parte de Bournemouth, que sentiu que a busca pela inédita vitória tinha acabado de se tornar quase impossível, e Guardiola soube fazer entrar Rodri para o lugar de Gündoğan para segurar o meio-campo e controlar as operações com bola, não permitindo grandes aventuras por parte do conjunto orientado por Eddie Howe. No final, o Manchester City impôs a primeira derrota da temporada ao Bournemouth e somou sete pontos, mais do um que o Arsenal e menos dois do que o líder Liverpool. Em dia de estreia de Cancelo, que jogou os primeiros escassos minutos na Premier League, Sergio Agüero voltou a ser protagonista e garantiu a continuação daquele que é o único caso, entre as equipas que estão atualmente na Premier League, em que uma perdeu sempre com a outra.