O secretário-geral do PS, António Costa, rejeitou esta segunda-feira responder a questões “conjunturais” e a “tricas entre políticos”, optando por falar sobre o que considera serem os desafios de longo prazo.

Questionado em Vila de Rei, Castelo Branco, sobre os ataques ao Bloco de Esquerda (BE) na entrevista que deu ao semanário Expresso, no fim de semana, e sobre as declarações do líder do PSD, Rui Rio, que afirmou que o primeiro-ministro é mal-agradecido ao parceiro de Governo, o líder do PS pediu a que quem fala da entrevista para a ler, para “entender bem o que lá está”.

António Costa declarou que a “vida política não são tricas entre políticos”, afirmando ainda ter ficado “comovido com o carinho do doutor Rui Rio pelo Bloco de Esquerda”.

Para o líder socialista, que falava no decorrer de uma visita ao Centro Geodésico de Portugal e ao Centro de Geodesia, em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, em mais um “ponto de paragem” do seu roteiro pela Estrada Nacional (EN) 2, nesta altura é preciso discutir “o que cada partido, cada político, deseja para o futuro para o seu país, e quais são as opções de cada um”.

O secretário-geral do PS lembrou que se vai “entrar numa nova etapa, numa nova caminhada a partir de outubro”, tendo dado conta que decidiu fazer esta volta pela EN2 porque “não há nada como ir ao quilómetro 0”, numa alusão ao início deste périplo pela maior estrada nacional, que liga Faro a Chaves, “para pensar tudo outra vez, olhar para o futuro e pensar o que vamos fazer mais e o que vamos fazer melhor”, dando conta das “ambições e desafios” do PS.

António Costa apontou que os “desafios demográficos”, “alterações climáticas”, e “transição para a sociedade digital”, bem como a “erradicação da pobreza” e o combate às desigualdades são alguns dos “grandes desafios estratégicos” que o país tem pela frente.

O líder do PSD, Rui Rio, disse no sábado que as críticas de António Costa ao Bloco de Esquerda refletem “ingratidão” e o “medo” que o PS tem em “perder” votos para os bloquistas nas eleições legislativas.

“O que eu pessoalmente não acho bonito – e isso eu não faço – é, por exemplo, o que está a fazer o Partido Socialista, que andou com o Bloco de Esquerda de braço dado durante quatro anos […] e agora que precisa está com medo de que os votos da esquerda fujam para o BE”, disse Rui Rio.

O líder socialista, António Costa, sugeriu, em entrevista ao semanário Expresso, que o BE “vive na angústia de ter de ser notícia”, enquanto o outro parceiro da ‘geringonça’, o PCP, tem outra “maturidade institucional”.

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No domingo, a coordenadora do BE, Catarina Martins, respondeu, pro seu turno, que seria “bom” o líder socialista ter “a humildade de reconhecer o que foi feito em conjunto”.

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