Os aliados de Donald Trump estão a preparar uma operação que pretende descredibilizar os meios de comunicação social que publiquem notícias pejorativas sobre a administração do presidente dos Estados Unidos, está a avançar o The New York Times após consultar quatro pessoas próximas à operação. Esses aliados mantêm pastas com informações, declarações e publicações dos jornalistas que cobrem os assuntos relacionados com a administração Trump. Algumas dessas publicações têm 10 anos e já foram eliminadas das redes sociais, mas foram repescadas pelos responsáveis da operação.

A estratégia destes defensores de Donald Trump é minar a credibilidade dos jornalistas cujos trabalhos possam prejudicar as possibilidades de uma reeleição na Casa Branca. Para tal, os aliados do presidente já começaram a publicar informações sobre jornalistas da CNN, do The Washington Post e do The New York Times. Mas, segundo as fontes deste último jornal, mais informações virão à tona quando a campanha presidencial de 2020 arrancar em força.

De acordo com o The New York Times, as informações libertadas até ao momento são verídicas e já tiveram consequências negativas na vida profissional dos jornalistas.

Um dos responsáveis por esta operação é Arthur Schwartz, conselheiro informal do filho mais velho de Trump. Após a publicação de umas declarações antissemitas feitas no passado por um jornalista do Times, Arthur Schwartz escreveu no Twitter: “Se o Times acha que isso arruma com o assunto podemos publicar mais alguns dos seus fanáticos”.

Contactados pelo The New York Times, os responsáveis pela campanha de Donald Trump afirmam não ter conhecimento destas operações nem estarem envolvidos nelas. No entanto, Tim Murtaugh, diretor de comunicações da campanha, concorda com os princípios dessa estratégia: “Não sabemos nada sobre isto, mas é claro que os meios de comunicação social têm muito trabalho pela frente para limpar a casa deles”, respondeu.

Ainda na semana passada, Donald Trump publicou um tweet que criticava o jornalismo pouco depois da publicação de uma reportagem no The New York Times: “O jornalismo atingiu um novo ponto baixo na história do nosso país. Não é nada mais que uma má máquina de propaganda para o Partido Democrata. A reportagem é tão falsa, tendenciosa e má que agora se tornou uma piada muito doentia… Mas o público está ciente disso”, escreveu.

Entretanto, os líderes dos jornais americanos já começaram a reagir à operação de descredibilização dos media nos Estados Unidos. A. G. Sulzberger, publisher do Times, disse num comunicado: “Eles estão a tentar hostilizar e envergonhar qualquer pessoa afiliada com as principais organizações de notícias que estão a fazer perguntas difíceis e a trazer verdades incómodas à tona”. E prosseguiu: “O Times não será intimidado ou silenciado”.