Um tribunal de recurso confirmou a pena de 10 anos de prisão por espionagem para Aras Amiri, uma funcionária iraniana do centro cultural britânico (British Council), indicou esta terça-feira um porta-voz da Autoridade Judicial.

Amiri “foi condenada a 10 anos de prisão (…) e cumpre atualmente esta pena. Esta sentença foi confirmada pelo tribunal” de recurso, declarou Gholamhossein Esmaili, citado pela agência Mizan, órgão da Autoridade Judicial.

A Mizan Online referiu a frase inicial de Aras Amiri a 13 de maio, quando foi condenada, assinalando que ela “fez uma confissão direta”. Na altura, Esmaili disse que Amiri tinha sido acusada de elaborar e gerir projetos culturais de “infiltração”.

Em maio de 2018, o British Council deu conta da detenção no Irão daquela funcionária, uma estudante iraniana residente no Reino Unido, quando visitava a sua família na República Islâmica.

A justiça iraniana condenou-a a 10 anos de prisão por “espionagem” para o Reino Unido.

A primeira-ministra britânica da altura, Theresa May, considerou a condenação “altamente chocante”.

Esmaili indicou ainda que a justiça iraniana condenou uma outra mulher e um homem por espionagem para os serviços secretos israelitas, Mossad.

A mulher, Anousheh Ashouri, com dupla nacionalidade também britânica, e o homem, Ali Johari, foram condenados a 10 anos de prisão cada um, por terem “transmitido informações à Mossad”.

Nos últimos anos, vários cidadãos irano-britânicos foram detidos no Irão, que não reconhece a dupla cidadania.

O caso mais mediatizado é o de Nazanin Zaghari-Ratcliffe, funcionária da fundação Thomson Reuters detida em 2016 e condenada a cinco anos de prisão por participação em manifestações contra o regime em 2009, o que ela nega.

O British Council é uma rede de institutos culturais britânicos presentes em 107 país, que não incluem o Irão.

A decisão do tribunal de recurso ocorre num contexto de tensões entre o Irão e o Reino Unido, aliado dos Estados Unidos, após a apreensão de petroleiros nas últimas semanas.

Um petroleiro iraniano foi apresado ao largo do território britânico de Gibraltar a 4 de julho, suspeito de transportar petróleo para a Síria em violação de sanções da União Europeia.

Este navio foi libertado, mas o Irão continua a reter um petroleiro de pavilhão britânico que apreendeu no Golfo a 19 de julho por ter infringido as “regras marítimas internacionais”.