PS e PCP estão indignados por não terem sido convidados para o SummerCEmp, um evento organizado pela representação da Comissão Europeia em Portugal, que se realiza em Monsaraz desde terça-feira e termina a 30 de agosto. O PCP emitiu esta quarta-feira um comunicado a criticar o que chama de “prática discriminatória particularmente grave“. Pouco depois foi tornado público — através de uma carta enviada por Ana Catarina Mendes à representação da Comissão em Portugal — que o PS lamenta “vigorosamente a ausência de qualquer tipo de convite“. Já a chefe da representação, Sofia Colares Alves, responde em declarações ao Observador que o SummerCEmp “não é espaço de pré-campanha, não é espaço de debate partidário“.

Sofia Colares Alves destaca que o evento é organizado com o propósito de “estimular o debate sobre assuntos europeus” e acrescenta: “Não convidamos partidos políticos. Convidamos personalidades que exercem cargos políticos, seja como deputados, eurodeputados, membros do governo, comissários europeus e outros a nível do poder local… para debater problemas e pela experiência e pelo cargo que ocupam têm um valor acrescentado ao debate sobre ambiente, inovação e ciência, sobre identidade e cultura”.

Na carta, o PS manifestou uma “profunda estranheza pela ausência de qualquer convite para participar nesta iniciativa através de um seu dirigente ou deputado”. A representante da Comissão Europeia em Portugal diz que vai “naturalmente responder” à carta de Ana Catarina Mendes, mas diz-se “admirada com a crítica“. Sofia Colares Alves destaca que há vários participantes do governo socialista e até de uma autarquia socialista: “Tivemos o ministro [das Finanças] Mário Centeno e vamos ter o ministro [da Educação], Tiago Brandão Rodrigues, duas secretárias de Estado, o presidente da câmara que está intimamente envolvido na organização do evento, e que é do PS [José Calixto]. Portanto não percebo o que mais falta para que o PS se sinta representado“.

Mas para Ana Catarina Mendes isso não chega. A secretária-geral adjunta lembrava na carta que o “Partido Socialista é um partido fundador do regime democrático português e que está intimamente ligado a todo o processo de integração europeia de Portugal, razão que agrava a sensação de estranheza diante da ausência de um convite para uma iniciativa com estas características e com este conteúdo.” Para Ana Catarina Mendes a ausência do PS do evento é  “uma gritante e lamentável omissão“.

“Comissão Europeia optou por excluir e silenciar eleições”

Também o PCP, em comunicado, destacou que “integram o painel de oradores representantes de todas as
forças políticas com representação parlamentar quer na Assembleia da República, quer no Parlamento Europeu, à exceção do PCP e do PEV, para além de representantes de outras forças políticas sem representação parlamentar, não tendo o PCP recebido qualquer convite, a que nível fosse, para a participação como interveniente de um seu representante nesta iniciativa”. Os comunistas destacam que o evento é “uma iniciativa financiada com dinheiro público, que se prevê tenha grande projeção mediática, a pouco mais de um mês de um ato eleitoral de grande importância para o país”.

Para o PCP é claro que “a representação da Comissão Europeia em Portugal optou por excluir e silenciar o PCP e outras forças que integram a CDU”, naquilo que define como “uma prática discriminatória particularmente grave, que visa, de forma intencional, omitir do debate político o PCP e quaisquer visões divergentes da atual integração capitalista europeia, configurada pela União Europeia, limitando o espectro político representado e a pluralidade do debate político democrático”. Os comunistas veem esta como uma “opção consciente” que repudia “veementemente e que tem por objetivo contribuir para condicionar a opinião pública, não apenas quanto à União Europeia, mas igualmente face ao ato eleitoral que se avizinha”.

Quanto à crítica do PCP, Sofia Colares Alves recorda que no “ano passado, por exemplo, como foi o SummerCEmp antes das eleições europeias” o que foi feito foi “promover um debate com todas as juventudes partidárias, porque este é um evento para jovens, e aí sim, convidámos todas as juventudes partidárias e friso, por exemplo, que a juventude comunista não respondeu sequer ao nosso convite”. Além disso, destacou que o eurodeputado João Ferreira já participou no evento noutra edição.