A CP, o Governo e os sindicatos que representam os trabalhadores da transportadora reuniram-se esta quarta-feira para negociar uma parte do contrato coletivo de trabalho da empresa, que vigora desde 1999, segundo o coordenador do sindicato dos ferroviários.

Em declarações à Lusa, Nuno Martins, dirigente nacional do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário (SNTSF), adiantou que esta foi “uma de muitas reuniões”, na qual foram debatidas “medidas não pecuniárias”, ou seja, que não exigem esforço financeiro da operadora ferroviária.

Em causa estão questões relacionadas com horários de trabalho e com a definição, por exemplo, da profissão de revisor no âmbito da tripulação de um comboio.

A tripulação é um maquinista e revisor e queremos que no texto seja referida assim, porque o que está é um agente de acompanhamento, que é muito geral e achamos que tem que ter uma carreira profissional definida, tal como o maquinista”, adiantou o dirigente sindical.

Nas próximas reuniões, já marcadas para os dias 11 e 18 de setembro, serão debatidas cláusulas pecuniárias, como subsídios de transporte, de refeição e diuturnidades, que implicam alterações nas remunerações e que, por isso, podem ser mais complicadas, de acordo com Nuno Martins.

O dirigente adiantou ainda que existe a meta de fechar as negociações no final de setembro, mas que isso irá depender do “encontro de ideias”. “Ficamos a aguardar o que nos irão propor” em termos de cláusulas, referiu Nuno Martins. “Os sindicatos têm as suas propostas, aguardamos o que vem do outro lado”, destacou.

Não é por nós que o acordo deixa de ser celebrado o mais depressa possível, depende da disponibilidade que existe na empresa e do ministério“, garantiu o dirigente.

Na terça-feira, a CP anunciou que teve um prejuízo de 49 milhões de euros no primeiro semestre, uma redução em relação aos 54,6 milhões de euros registados em igual período do ano anterior.

Num relatório intercalar enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa pública indicou que “para esta melhoria de 5,5 milhões de euros contribuiu, fundamentalmente, o aumento das vendas e serviços prestados (4,8 milhões de euros), impulsionado pelo crescimento dos rendimentos de tráfego”.

Os gastos com pessoal (sem indemnizações por rescisão) registaram um aumento de 0,6 milhões de euros.

A empresa de transporte ferroviário indicou ainda que no primeiro semestre de 2019 foram transportados mais de 66 milhões de passageiros, correspondendo a um crescimento de 4,4 milhões de passageiros (7,1%), relativamente ao mesmo período do ano anterior.