Mais de 160 novos pivas, uma espécie de antílope, estão a dar os primeiros passos no território onde vão passar a viver, no sul de Moçambique, após uma viagem de 36 horas, em camiões, por mais de mil quilómetros.

Os antílopes foram transferidos do Parque da Gorongosa, no centro do país, e são os primeiros do género na Reserva Especial de Maputo (REM), junto à capital, Maputo. Quem cuida dos animais garante que valeu a pena o esforço.

Partiram às 03h00 (menos uma hora em Lisboa) de terça-feira a bordo de quatro camiões, um comboio de viaturas que seguiu sempre à velocidade mínima para não perturbar os animais, explicou à Lusa um dos motoristas. Às 15h00 de quarta-feira chegaram aos portões da REM.

Aqui, após registos, prepara-se tudo para os animais seguirem por terra batida e areia até ao local de libertação, agora com escolta de quatro viaturas todo-o-terreno e de um trator agrícola, para prevenir eventuais dificuldades. A viagem dura uma hora, com poeira à mistura, numa estrada de terra incómoda, mas com muito verde para observar nas redondezas.

Chegados ao local, Natércio Ngovene, chefe da fiscalização da REM, explica que a operação está a trazer um “bom número de animais” provenientes da Gorongosa e isso é um bom sinal. “Já recebemos animais da África do Sul, mas estamos a ganhar condições internamente. Na Gorongosa estamos a ter espécies suficientes para repovoar outras áreas de conservação dentro do país”, destacou Natércio Ngovene.

A comitiva chega a uma pequena colina, ali implantada para que os animais desçam dos camiões e conheçam o seu novo lar. Portas abertas, mas nenhum quer ser o primeiro a sair.

O grupo que acompanha a operação, duas dezenas de pessoas, prepara-se para fazer fotografias do momento, mas os mais experientes afirmam que o nervosismo dos antílopes pode prolongar a descida dos camiões por várias horas, para lá do sol posto, o que por esta altura do ano acontece pelas 17h30.

E eis que o primeiro grupo de sete salta em debandada e esconde-se na mata. E depois outros, até ao último. Nova casa, mas velhos hábitos. A direção do REM espera receber pelo menos 250 animais este ano.

Em junho, já tinham chegado 99 búfalos provenientes do Parque Sabie da África do Sul e para setembro está prevista a chegada de outros 82 pivas e 50 oribis (antílopes de menor porte) provenientes igualmente do Parque Nacional da Gorongosa.

“Este ano iniciámos o censo da fauna e, em breve, teremos um relatório para quantificar o número de animais”, disse Natércio Ngovene, acrescentando que a caça furtiva está “controlada”. O Projeto de Desenvolvimento das Áreas de Conservação e Biodiversidade em Moçambique, conhecido como Mozbio, e a fundação Peace Parks foram responsáveis pela transferência dos antílopes, com base num acordo que tem com a REM.

Ocupando uma área de 1.040 quilómetros quadrados banhados pelo oceano Índico, a reserva foi estabelecida em 1960 e está localizada a 68 quilómetros da capital, conservando diferentes espécies como elefantes, bois-cavalos, cudos, crocodilos, inhalas, hipopótamos e diferentes espécies de aves, entre outras.

O governo moçambicano e parceiros têm estado a implementar vários projetos para preservar o ecossistema, considerado um santuário da vida selvagem.