Não será “à partida” justiça, nem assuntos internos, nem migrações. O primeiro-ministro, António Costa, não quis revelar qual a pasta que Elisa Ferreira, indicada pelo Governo português para integrar a Comissão Europeia, vai ocupar, mas aponta que o seu perfil “exclui, à partida, a probabilidade de ir desempenhar estes pelouros que, independentemente da sua competência política, porventura exigiriam outro tipo de competências, como por exemplo a área da justiça, dos assuntos internos, das migrações”. E mais não disse porque há um compromisso para honrar:

O compromisso que temos é que será a presidente da Comissão [Europeia] a anunciar as pastas dos diferentes membros”, explicou António Costa esta quinta-feira na residência oficial do primeiro-ministro, após reunião com Elisa Ferreira.

António Costa garante que vai respeitar este compromisso. “A única coisa que posso dizer é que é uma pasta onde seguramente Elisa Ferreira fará um um excelente papel e que é uma pasta que corresponde àquilo que também são os interesses próprios de Portugal”, disse apenas. “No momento próprio Ursula Von der Leyen anuciará”, insistiu.

Antes, o primeiro-ministro elogiou a “larga experiência política em Portugal” da comissária e disse estar “seguro que será alguém que tem todas as competências pessoas, técnicas e políticas”  suficientes “para honrar Portugal”.

Costa agradece a Carlos Moedas “defesa incansável dos portugueses e de Portugal”

Antes do encontro com Elisa Ferreira, o primeiro-ministro reuniu com Carlos Moedas que considera “um incansável defensor dos portugueses e de Portugal” enquanto membro da Comissão Europeia que cessa funções a 31 de outubro. Carlos Moedas, que na Comissão liderada por Jean-Claude Juncker tem a pasta da Ciência e Inovação.

“Foi para mim sempre motivo de grande satisfação testemunhar todos os elogios que ouvi de todos os meus colegas e o enorme reconhecimento que em toda a Europa encontrei ao excelente trabalho desenvolvido por Carlos Moedas”, disse António Costa à imprensa após o encontro.

“Enquanto primeiro-ministro, quero também agradecer a forma impecável como mantivemos sempre um relacionamento muito estreito. Sempre respeitando a independência própria de um comissário europeu, Carlos Moedas foi um incansável defensor dos portugueses e de Portugal, em todas as circunstâncias”, sublinhou.

António Costa assegurou que “o país deve muito” a Carlos Moedas, cuja ação “foi absolutamente essencial” nomeadamente em “algumas circunstâncias muito difíceis” que Portugal viveu “nos últimos quatro anos”.

Moedas, que há cinco anos foi indicado para o cargo pelo governo de coligação PSD-CDS/PP liderado por Pedro Passos Coelho, agradeceu por seu turno a António Costa a “lealdade extraordinária” e “a confiança pessoal”.

Uma relação institucional com o primeiro-ministro que correu sempre tão bem, porque, no fundo, a nossa relação estava acima dos partidos, era Portugal, l Lutar sempre para representar Portugal o melhor possível”, disse à imprensa.

O comissário cessante congratulou-se por outro lado com a evolução da ciência em Portugal nos últimos cinco anos, a qual considerou “um bocadinho” o seu legado, que se traduziu num aumento significativo dos fundos para a ciência. “Quando cheguei, [Portugal] só tinha à volta de 500 milhões de euros em fundos de ciência, quando vou deixar esta minha posição como comissário europeu, já estará nos mil milhões em relação aos fundos da ciência. É esse um bocadinho o meu legado”, disse.

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