Um dia depois de o Benfica saber que vai encontrar o Zenit, o Lyon e o RB Leipzig na fase de grupos da Liga dos Campeões, FC Porto, Sporting, Sp. Braga e V. Guimarães conheceram os adversários da fase de grupos da Liga Europa. As quatro equipas, que tornam Portugal um dos países mais representados na segunda competição europeia, estavam espalhadas pelo Pote 1 (dragões e leões), 2 (bracarenses) e 4 (vimaranenses) e tiveram sortes diferentes.

Se o Sporting vai encontrar o PSV, segundo classificado da liga holandesa na temporada passada, a apenas três pontos do campeão Ajax, o FC Porto acaba por ter a tarefa mais facilitada com os também holandeses Feyenoord, que terminaram o Campeonato em terceiro. Por outro lado, se os restantes elementos dos grupos dos leões são os mais modestos Rosenborg e LASK, os dragões têm de enfrentar os suíços do Young Boys, muito habituados às andanças europeias, e o Glasgow Rangers de Steven Gerrard. Por outro lado, tanto Sp. Braga como V. Guimarães caíram em grupos exigentes, com especial destaque para o dos vimaranenses: a equipa de Sá Pinto terá pela frente os turcos do Besiktas e a armada portuguesa do Wolverhampton, ao passo que o conjunto de Ivo Vieira encontra o Arsenal, finalista vencido na temporada passada, o Eintracht Frankfurt que eliminou o Benfica na edição anterior da Liga Europa e ainda o Standard Liège.

FC Porto: os habitués, os holandeses e Steven Gerrard

À mercê de um Pote 2 recheado de eventuais perigos, como o Eintracht, o PSV e o Borussia Mönchengladbach, os dragões acabaram por conseguir escapar entre os pingos da chuva e ficar com um teoricamente mais modesto Young Boys. Ainda assim, o conjunto suíço, atual bicampeão nacional, está mais do que habituado às competições europeias — incluindo a Liga dos Campeões — e vai lutar por um lugar na próxima fase. Orientado por Gerardo Seoane desde julho do ano passado, depois de o austríaco Adi Hütter ter saído para o Eintracht, o Young Boys tem como principal destaque o veterano Guillaume Hoarau, avançado de 35 anos que representou o PSG e o Bordéus durante vários anos, e ainda uma frente de ataque composta por três elementos perigosos: o camaronês Ngamaleu, o costa-marfinense Assalé e o também camaronês Nsame. De sublinhar ainda o reencontro de Janko, lateral emprestado pelo FC Porto aos suíços, com os dragões, e o regresso a Portugal de Sulejmani, sérvio que esteve dois anos ao serviço do Benfica.

Jaap Stam, antigo central do Manchester United e do AC Milan, substituiu em junho Giovanni van Bronckhorst no comando técnico do Feyenoord. A equipa de Roterdão ficou em terceiro lugar na liga holandesa, longe do Ajax e do PSV, mas está a atravessar uma fase de reconstrução e renovação que tem como objetivo voltar a lutar pelo título — que conquistou pela última vez há dois anos — e regressar à Liga dos Campeões. Para isso, conta principalmente com o avançado Luciano Narsingh, contratado este verão ao Swansea, e Orkun Kökçü, holandês de ascendência turca de apenas 18 anos que tem dado nas vistas. Entre as opções de Jaap Stam está ainda o português Edgar Ié, emprestado pelo Trabzonspor.

Por fim, o Glasgow Rangers. A equipa escocesa é orientada por Steven Gerrard, histórico do Liverpool, desde o ano passado e em 2018/19 ficou no segundo lugar da liga, a nove pontos do eterno rival Celtic. O Rangers não conquista a liga escocesa desde 2010/11, depois de ter sido tricampeão entre 2009 e 2011, e também não tem tido grande sorte na Europa, já que não avança para lá de uma fase de grupos desde essa altura. Como principais destaques, os escoceses têm o avançado colombiano Alfredo Morelos, assim como o canadiano Scott Arfield e o inglês Sheyi Ojo, que está emprestado pelo Liverpool. Jermain Defoe, o inglês de 36 anos que jogou no Tottenham e no West Ham e era presença assídua na seleção, injeta a dose de experiência na equipa de Gerrard.

Sporting: outros holandeses, um tetracampeão e um histórico de outros tempos

O PSV Eindhoven ficou em segundo lugar na liga holandesa no ano passado, apenas atrás do surpreendente Ajax, mas conquistou duas vezes o campeonato nos últimos quatro anos. Orientado por Mark van Bommel, antigo jogador do Barcelona, do AC Milan e do Bayern Munique, o conjunto holandês conta com Bergwijn e Dumfries, uma dupla que tem sido regular nas convocatórias do selecionador Ronald Koeman. O capitão do PSV é o veterano Afellay, atualmente com 33 anos, e a presença dos holandeses no grupo do Sporting promove dois regressos a Portugal: desde logo, Bruma, que esteve quase certo no FC Porto este verão mas acabou por trocar o RB Leipzig pela equipa de Roterdão; e ainda Mitroglou, o avançado grego que jogou no Benfica e está agora na Holanda emprestado pelo Marselha. Na última temporada, o PSV ficou no último lugar de um megagrupo da Liga dos Campeões que tinha o Barcelona, que chegou às meias-finais, o Tottenham, finalista vencido, e ainda o Inter Milão.

Tetracampeão nacional na Noruega, o Rosenborg é orientado por Eirik Horneland desde janeiro, depois de o holandês Rini Coolen ter sido treinador interino de julho a dezembro do ano passado, no seguimento da saída de Kåre Ingebrigtsen para os belgas do Oostende. Como principal referência, os noruegueses têm o dinamarquês Nicklas Bendtner, ex-Arsenal e Juventus, que até esteve perto de assinar pelo Sporting há alguns verões. Apesar de ser uma presença assídua nas fases de grupos da Liga Europa nos últimos anos, a verdade é que o Rosenborg nunca passou desse estágio e ainda procura a primeira aventura pelas eliminatórias europeias.

Já o LASK — que é como quem diz Linzer Athletik-Sport-Klub — ficou em segundo lugar da liga austríaca na temporada passada, apenas atrás do Salzburgo, e garantiu a melhor classificação em mais de 50 anos. Apesar de ter andado pelos escalões inferiores do futebol austríaco num passado recente (só subiu à primeira liga em 2017), o LASK ficou na quarta posição logo no primeiro ano de regresso à ribalta e na edição anterior da Liga Europa foi eliminado pelo Besiktas na terceira eliminatória de acesso. Para além disso, e para lá de em 1965 se ter tornado a primeira equipa que não é de Viena a ser campeã nacional, o conjunto orientado pelo francês Valérien Ismaël tem história no futebol europeu: foi presença habitual nas Taças UEFA e Intertoto ao longo dos anos 60, 70, 80, 90 e até 2000, último ano em que jogou na Europa até regressar na temporada passada. Sporting e LASK, aliás, encontraram-se em 1969/70, na primeira ronda da Taça das Cidades com Feira — na altura, os leões concederam um empate em Alvalade (2-2) mas foram à Áustria golear (0-4).

Sp. Braga: os órfãos de Quaresma, o contingente português e os antigos campeões europeus

Depois de no ano passado ter falhado o acesso à fase de grupos da Liga Europa, o Sp. Braga encontra agora um Besiktas que deixou escapar o campeonato turco nos últimos dois anos (para o Galatasaray), isto depois de ter sido bicampeão nacional em 2016 e 2017. A equipa de Abdullah Avcı, mais do que habituada às andanças europeias — há dois anos chegou aos quartos de final da Liga Europa, onde caiu com o Lyon –, já não conta com Ricardo Quaresma, que foi dispensado pela direção e rumou ao Kasimpasa. No plantel da equipa de Istambul, saltam à vista o guarda-redes Loris Karius, que passou pelo Liverpool, o brasileiro Douglas, que esteve emprestado pelo Barcelona ao Benfica, e ainda o central Vida, croata que foi vice-campeão do mundo na Rússia em 2018. O médio francês Nkoudou, que esteve três anos no Tottenham, é outra opção de peso para o treinador turco, assim como o português Pedro Rebocho, internacional pelas camadas jovens da Seleção Nacional, e ainda Tyler Boyd, norte-americano que fez parte dos quadros do V. Guimarães e esteve emprestado ao Tondela.

O Sp. Braga vai também encontrar o Wolverhampton, que regressa esta temporada às competições europeias depois de 30 anos de ausência. O sétimo classificado da Premier League na época passada é o clube mais português de Inglaterra, já que é orientado por Nuno Espírito Santo e conta com Rúben Neves, João Moutinho, Rui Patrício, Diogo Jota, Pedro Neto e Bruno Jordão. Raúl Jiménez, avançado mexicano ex-Benfica, é a referência ofensiva do Wolves e regressa assim a Portugal. O clube inglês tem o hábito de roubar muitos pontos aos big six da Premier League e realizou uma temporada absolutamente impressionante em 2018/19 — isto tendo em conta que foi o primeiro ano de regresso ao principal escalão do futebol inglês. Tarefa difícil para os minhotos e para Ricardo Sá Pinto.

O Slovan Bratislava é o atual campeão eslovaco, título que escapava há já cinco anos, e tem sido presença assídua nas rondas de qualificação para a Liga Europa. Ainda assim, este foi o primeiro ano desde 2014/15 em que a equipa da capital da Eslováquia conseguiu alcançar uma vaga na fase de grupos, 50 anos depois de ter conquistado a Taça das Taças ao bater o Barcelona na final.

V. Guimarães: o finalista vencido, o carrasco do Benfica e os meninos de Preud’homme

Depois de um apuramento difícil perante o Steaua Bucareste, que só foi garantido na segunda mão depois de um nulo no primeiro jogo na Roménia, o V. Guimarães enfrenta agora um sorteio exigente e complicado. Desde logo, ficou emparelhado com o Arsenal, finalista vencido da edição anterior da Liga Europa, quinto classificado da Premier na época passada e um dos clubes europeus com a frente de ataque mais perigosa, composta por Lacazette, Aubameyang e o recém-chegado Pépé — para além da presença de Ceballos, playmaker espanhol que está emprestado pelo Real Madrid aos gunners. A equipa de Unai Emery volta a cruzar-se com equipas portuguesas na fase de grupos da Liga Europa, isto depois de ano passado ter enfrentado o Sporting (os leões perderam pela margem mínima em Alvalade e conquistaram um empate sem golos no Emirates).

De seguida, o Eintracht Frankfurt. A nova equipa de Bas Dost, que chegou esta semana de forma oficial ao clube alemão, perdeu Jovic para o Real Madrid mas continua a contar com o português Gonçalo Paciência. O Eintracht eliminou o Benfica nos quartos de final da edição anterior da Liga Europa — perdeu 4-2 na Luz, com um hat-trick de João Félix, mas ganhou 2-0 em casa –, e ficou em sétimo na Bundesliga na temporada passada. A equipa de Adi Hütter tem um plantel consistente e perigoso, que assenta principalmente nos médios Kostic, Gacinovic e Rode e ainda no avançado croata Ante Rebic. O guarda-redes Kevin Trapp é ainda outro dos destaques do Eintracht, que na época passada caiu nas meias-finais da Liga Europa depois de eliminar o Benfica perante o Chelsea, que acabaria por conquistar o troféu na final de Baku.

Já o Standard Liège é treinado por Michel Preud’homme, antigo guarda-redes do Benfica e da seleção belga. O clube não conquista o título nacional desde 2008/09, há dez anos, mas ficou em segundo há dois anos e em terceiro na temporada passada, conseguindo manter-se de forma regular nas competições europeias. No Standard Liège joga o avançado Orlando Sá, que em Portugal representou Sp. Braga, FC Porto e Nacional e que chegou a atuar no Fulham e no Reading, e ainda o belga Carcela, que em 2015/16 esteve ao serviço de Rui Vitória no Benfica.