A chefe da diplomacia europeia admitiu esta sexta-feira que a União Europeia (UE) está a analisar novas formas de conseguir consenso com o Irão relativamente ao programa de mísseis, apontando que novos acordos serão sempre “complementares” ao que já existe.

No passado fim de semana, o Presidente francês, Emmanuel Macron, sugeriu uma renegociação sobre o programa de mísseis do Irão, durante a cimeira do G7, que decorreu na cidade francesa de Biarritz. Esta sexta-feira, a Alta Representante da UE para a Política Externa, Federica Mogherini, afirmou que “qualquer passo que tenha em vista novos canais de diálogo de diplomacia é bem-vindo e apoiado pela União”.

“E, obviamente, o que surgiu de Biarritz vai nessa direção”, acrescentou, falando em conferência de imprensa à margem da reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Helsínquia, no âmbito da presidência finlandesa. Porém, continuou a chefe da diplomacia europeia, “este novo ímpeto só pode ser trabalhado tendo como base o Plano de Ação Conjunto Global”, mais conhecido como acordo nuclear para o Irão.

“Temos trabalhado [para cumprir] esse acordo todos estes anos e é isso que vamos continuar a fazer”, sublinhou Federica Mogherini, insistindo que a UE defende a “preservação total do acordo já existente”. Ainda assim, segundo a responsável, “as duas coisas não são opostas, complementam-se”.

Esta sexta-feira, à margem desta reunião informal, Federica Mogherini esteve também reunida com os ministros dos Negócios Estrangeiros de França, Alemanha e Reino Unido (UE a 3), altura na qual estes líderes diplomáticos analisaram as “respostas que podem ser dadas ao que ficou de Biarritz”.

Não darei detalhes do que vamos fazer a seguir, mas posso garantir que há trabalho em curso, não só na UE a 3, mas também com o Irão, China e Rússia”, que foram signatários do acordo nuclear, adiantou a responsável. E insistiu: “Se mais alguma coisa surgir por cima disso, isso será uma notícia muito positiva, mas a base do compromisso da UE é a preservação do que já existe, o que, por si só, pode contribuir para evitar a escalada de tensões no Golfo [pérsico]”.

O dossiê nuclear iraniano continua a dividir os Estados Unidos e os dirigentes europeus, razão pela qual o Presidente francês, Emmanuel Macron, tentou conciliar as posições na cimeira do G7 do passado fim de semana, que decorreu na cidade de francesa de Biarritz, no sudoeste do país.

Emmanuel Macron quer desbloquear a crise desencadeada pela retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, assinado entre o Irão e as potências do chamado grupo 5+1 (Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e China e EUA).

Depois da decisão norte-americana, associada à imposição de fortes sanções, o Irão deixou de cumprir algumas das obrigações impostas pelo acordo, que limitava o seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções económicas, e pede aos europeus, que querem preservar o pacto, medidas que permitam contornar as sanções norte-americanas.

A tensão entre os Estados Unidos e o Irão tem vindo a subir desde a retirada unilateral de Washington do acordo nuclear iraniano e do restabelecimento de sanções a Teerão.

Nos últimos meses aumentou devido a ataques contra petroleiros no Golfo, pelos quais Washington responsabiliza Teerão, que desmente qualquer envolvimento.