Caso o PS ganhe as eleições legislativas de outubro, o secretário-geral do PCP garante que uma nova posição conjunta com o partido de António Costa “não é repetível”. Em entrevista ao semanário Expresso, Jerónimo de Sousa diz que o acordo formal da chamada geringonça “foi uma exigência do então Presidente da República”, Cavaco Silva. “Por nós, não tinha sido necessário.”

Como é sabido, essa foi uma exigência do então Presidente da República que insistia: “Então e o papel? Onde está o papel? O que diz o papel? Preciso do papel!”. Por nós, não tinha sido necessário. Foi resultado dessa necessidade angustiante do então Presidente. Não é repetível.”

Nos próximos quatro anos de legislatura, Jerónimo de Sousa considera que o Parlamento deve voltar ao seu “funcionamento normal”, frisando que “não é condição” voltar a ter um acordo escrito com o PS. “Será na AR que se conseguirão, com certeza, as convergências”, defendeu.

Questionado sobre as palavras de António Costa que considera “mais saudável” um acordo escrito, o líder dos comunistas respondeu que “não têm havido conversações e o diálogo institucional foi entretanto reduzido com o encerramento da Assembleia da República”.

Não existe nenhum contacto, conversa, diálogo ou negociação em curso. Os resultados eleitorais de 6 de outubro é que vão determinar muito da evolução da vida política nacional.”

Jerónimo de Sousa não vê, por isso, “necessidade de uma negociação”, mesmo que o PS não ganhe com maioria absoluta. “Diálogo sempre houve e, naturalmente, depois das eleições, existem encontros formais das forças que elegem. Mas não vejo necessidade de uma negociação que, na prática, conduzisse a uma solução muito semelhante à de 2015. Portanto, para nós isto é assim: os caminhos estão abertos para o reforço da CDU e nada está decidido. Não há vencedores antecipados nem deputados eleitos por antecipação” defendeu.