O representante especial dos EUA para os esforços de paz no Afeganistão, Zalmay Khalilzad, disse esta segunda-feira que apresentou ao Presidente afegão, Ashraf Ghani, o esboço de acordo com o movimento talibã, que prevê a retirada de militares norte-americanos.

Há um ano, Khalilzad já tinha tentado um acordo com os insurgentes, para tentar terminar 18 anos de guerra no Afeganistão, sem sucesso, mas o diplomata acredita que esta nova proposta pode ser a solução.

O esboço de acordo prevê que os Estados Unidos retirem parte dos cerca de 10 mil soldados das cinco bases militares no Afeganistão, nos próximos 135 dias, se os talibãs cumprirem os seus compromissos, segundo o representante norte-americano.

Embora um pacto entre os Estados Unidos e o movimento talibã não signifique a chegada da paz ao Afeganistão, o acordo abrirá o caminho para o governo de Cabul e os rebeldes discutirem um acordo permanente que permita terminar o conflito.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, já tinha dito anteriormente que esperava que um acordo de paz fosse alcançado até 1 de setembro, antes da eleição presidencial afegã, marcada para 28 de setembro. Khalilzad chegou a Cabul no domingo, um dia após o final da nona ronda de negociações com os talibãs no Qatar, que, segundo as partes, terminou no limiar de um acordo que permita maiores progressos para o processo de paz.

“O embaixador Khalilzad reuniu-se com o presidente Ghani e o chefe de Governo, Abdullah (Abdullah), tendo apresentado uma cópia do projeto de acordo”, confirmou o diretor geral do departamento de Assuntos Públicos e Estratégicos do Palácio Presidencial afegão, Waheed Omer, na sua conta da rede social Twitter.

“Vamos estudar o documento e as negociações continuarão”, acrescentou Omer, sem fornecer mais pormenores.

Até agora, o governo afegão tinha sido deixado de fora das negociações com os talibãs, pelo que este esforço de envolvimento dá um novo alento a uma nova fase do processo de paz. “Os esforços dos americanos e de outros parceiros darão frutos quando os talibãs entrarem em negociações diretas com o Governo afegão”, disse esta segunda-feira o porta-voz Sediq Sediqqi, numa conferência de imprensa.

Questionado sobre o conteúdo do projeto de acordo, Sediqqi limitou-se a responder que “o mais importante é que a violência talibã cesse”. “Esperamos que qualquer acordo assinado entre os Estados Unidos e os talibãs resulte em paz”, acrescentou.

O Presidente Ghani já nomeou uma delegação de 15 membros, para iniciar conversações com os talibãs, durante as reuniões “inter-afegãs”, que decorrerão na Noruega, nas próximas semanas.