O navio da Marinha Portuguesa D. Francisco de Almeida atracou no domingo à noite em Nova Iorque pela primeira vez na sua história e recebeu a bordo membros da comunidade portuguesa nos Estados Unidos da América.

A última vez que um navio da Marinha de Guerra Portuguesa esteve em Nova Iorque foi em 1997, mas no domingo o navio D. Francisco de Almeida celebrou a sua estreia numa das cidades mais importantes do mundo, abrindo as portas a alguns portugueses residentes nos EUA.

“Já não tínhamos um navio da Marinha de Guerra Portuguesa desde 1997 em Nova Iorque, portanto [o encontro com a comunidade] tem um simbolismo muito particular, não só para a guarnição, mas também para estas pessoas, que estão aqui e têm o prazer de estar a pisar território nacional”, disse à Lusa o comandante Ricardo José Gomes da Silva Inácio.

A fragata, da classe Bartolomeu Dias, que chegou aos EUA na sexta-feira, está enquadrada na força “Standing NATO Maritime Group 1” da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e está no percurso que começou a 1 de agosto e termina em 12 de novembro.

A receção à comunidade decorreu ao longo de quatro horas de convívio e alguns imigrantes nos EUA puderam rever familiares, homenagear a Marinha e ouvir histórias do navio, de todos os cantos do mundo. Tudo aconteceu ao sabor de pratos e vinhos portugueses, ao som do fado e com a vista sobre as águas do Pier 88 do Terminal de Navios de Nova Iorque, de onde o D. Francisco de Almeida parte na terça-feira para o Canadá.

Quando a associação NYPALC, de 69 organizações luso-americanas em Nova Iorque soube que o navio D. Francisco de Almeida parava na costa leste dos EUA, teve a ideia de juntar a comunidade portuguesa.

Isabelle Coelho-Marques, presidente da NYPALC e representante da comunidade, disse que os imigrantes portugueses nos Estados Unidos sentem “um sentimento de pertença” por poderem estar dentro da fragata, que consideram um “espaço português no país de acolhimento”. A representante da associação disse que o encontro foi um momento “muito simbólico e emocionante” para os imigrantes.

“Costumam dizer que nós não somos imigrantes, mas somos portugueses a residirem fora de Portugal. Eu gosto da palavra ‘imigrante’ e tenho muito orgulho dela”, explicou Isabelle Coelho-Marques. “Apesar da distância que temos daqui a Portugal, (…) afinal de contas, nós somos Portugal, mesmo apesar de estar longe da pátria, vivemos com emoção tudo o que acontece”, disse a representante da NYPALC.

O comandante Ricardo José Gomes da Silva Inácio sustentou: “A Marinha Portuguesa tem 700 anos de história, portanto nós compreendemos muito bem esta envolvência e esta dinâmica que existe nas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo”.

O Consulado de Portugal em Nova Iorque e o Consulado de Newark ajudam a programar encontros com o Navio Escola de Sagres, mas nesta ocasião, foi preciso autorização da NATO, porque a fragata portuguesa viaja junto com quatro navios da Bélgica, Holanda, Noruega, EUA.

Nova Iorque faz parte de um conjunto de exercícios e de pontos de escala que a Marinha faz no plano “Maritime Express 2019” e que, segundo o comandante português, “têm como grande objetivo garantir a operacionalidade e a capacidade em tempo real” da força de reação imediata da força “Standing NATO Maritime Group 1”.