José Maria Ricciardi não tem dúvidas: Frederico Varandas “não tem quaisquer condições para continuar” no Sporting e, quanto mais tempo o atual presidente ficar, “maior será o fosso” entre os leões e “os outros dois clubes”. Em declarações à Rádio Observador esta terça-feira, o ex-candidato à presidência do Sporting mostra-se preocupado e diz que o clube “caminha para uma situação extraordinariamente negativa”. Situação essa, afirma, para a qual o próprio já tinha alertado nas últimas eleições: “Verifica-se aquilo que eu previ. Acertei em cheio e está tudo a confirmar-se. Na altura, ficou tudo indignado”.

Não fiquei surpreendido e não fico surpreendido com nada do que se está a passar no Sporting. Só fico surpreendido com as pessoas que ficam surpreendidas com aquilo que se está a passar no Sporting”, declarou o banqueiro.

Ricciardi apelida a atual direção do Sporting de “agrupamento de estagiários” e afirma que Varandas não “percebeu” a herança pesada que tinha para assumir: “Na altura (nas eleições) que eu disse que se ia herdar uma situação muito difícil, Frederico Varandas desmentiu-me, achava que a situação era muito boa. Isto mostra bem que Varandas não teve competência para perceber ao que ia”.

O dr. Varandas disse que o circo tinha acabado… Maior circo que este no Sporting não me lembro, e já sou sócio há muitos e muitos anos”, criticou Ricciardi.

José Maria Ricciardi deixou ainda críticas ao plantel, dizendo que a grande quantidade de jogadores cedidos vai prejudicar o clube e que é já uma “situação anedótica”: “Eu não conheço nenhum clube grande que comece a construir uma equipa com emprestados… Depois vamos vender o quê? O relvado?”, ironizou.

Para o ex-candidato a presidente leonino, José Peseiro devia ter continuado à frente do Sporting. Keizer, diz, distanciou-se dos rivais e não apostou na cantera leonina: “Não temos um único jogador da formação”, criticou. “Desapareceu tudo: ou foram emprestados, ou vendidos ou foram dados a zero”, acrescentou.

Ricciardi não fala em eleições antecipadas e, questionado sobre a possibilidade de se voltar a candidatar à liderança do Sporting, lança: “Não faço a mínima ideia. Nesta altura, não penso nisso”. Ainda assim, recorda que não conseguiu passar a mensagem certa aos sportinguistas nas últimas eleições: “A culpa foi minha que não tenha conseguido explicar aos sócios que estávamos perante este agrupamento de incompetentes. Já somos motivo de chacota”, lamentou.