Uma exposição de arte portuguesa com 40 obras, algumas delas sobre temas sociais e políticos, vai estar acessível ao público a partir de quinta-feira, para “introduzir o vírus da contemporaneidade” no Palácio de São Bento, em Lisboa.

Trata-se da terceira edição da “Arte em São Bento”, uma iniciativa do primeiro-ministro, António Costa, que desde 2017 abre a sua residência oficial aos domingos, para que o público tenha acesso a coleções de arte contemporânea.

Depois da Coleção de Serralves e da Coleção António Cachola/Museu de Arte Contemporânea de Elvas, este ano será a coleção privada de Norlinda e José Lima, uma das maiores do país, com sede no Centro de Arte Oliva, em São João da Madeira, “muito pouco conhecida do público”, disse a curadora da mostra, Isabel Carlos, durante uma visita guiada aos jornalistas.

Questionada sobre os critérios que pautaram o desenho desta mostra, Isabel Carlos disse que “o principal, do ponto de vista conceptual, foi querer introduzir o vírus da contemporaneidade num palácio oitocentista”.

As obras – de artistas portugueses vivos, outro dos critérios da curadora – estarão patentes nas várias salas do palacete, que possui vários pisos, e apenas o último não terá acesso público, por se tratar de uma zona reservada.

A partir de quinta-feira, com inauguração às 18:00, e ao longo de todos os domingos – entre as 10:00 e as 17:00 – até ao final do ano, haverá acesso gratuito às salas do palacete onde ficam expostas obras de artistas como Lourdes Castro, Paula Rego, João Louro, Daniel Malhão, Ângela Ferreira e Gabriela Albergaria.

“Achei importante juntar arte contemporânea num edifício oitocentista, equacionando a decoração, a representação de uma coleção privada, e o habitat governamental”, disse Isabel Carlos.

Outros critérios da exposição, segundo a curadora, foram a paridade da representação de género, serem artistas portugueses, e não terem estado presentes na seleção anterior, exposta na residência oficial de António Costa.

“O tema da paisagem e do retrato estão muito presentes nesta coleção, mas também há várias obras que revelam uma consciência social, ambiental e política”, sublinhou.

Sobre a visão da natureza, “o que se vê não tem nada de bucólico, romântico ou naturalista, porque há uma imagem do século XX e XXI, que mostra a natureza ameaçada e ficcionada pelo Homem”, descreveu Isabel Carlos.

“É uma coleção muito interessante, que pouco se tem visto, é uma grande surpresa de ter o privilégio de a poderem ver na capital, e na residência oficial do primeiro-ministro, onde se decidem os destinos do país”, comentou.

Quanto ao arco cronológico, a obra mais antiga é de 1965, de Lourdes Castro, e a mais recente de Ana Jotta, de 2018, surgindo ainda entre elas peças de João Penalva, Mafalda Santos, Julia Ventura, Pedro Tudela, Manuel Baptista, André Cepeda, Paulo Quintas, Eduardo Batarda e Albuquerque Mendes, entre outros.