O líder do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), André Silva, aproveitou a entrevista desta noite na TVI para “esclarecer alguns mal-entendidos” — que diz surgirem em maior número depois de 26 de maio (data em que o partido conseguiu eleger Francisco Guerreiro como eurodeputado) — criados em torno das propostas do partido para a próxima legislatura. Deixou críticas ao Bloco de Esquerda e não escondeu ambição no que diz respeito às metas ambientais para o país.

O também cabeça de lista pelo círculo de Lisboa afirmou que durante a última legislatura o único partido que se mostrou disponível para ouvir as propostas do PAN foi o PS e nunca o “PCP ou o BE”, ainda que continue disponível para dialogar com todos os partidos. “O nosso interlocutor, nestes quatro anos, com quem conseguimos mais falar, não foi com o PCP nem com o BE, foi com o PS, isto é factual“, afirmou acrescentando que o diálogo com o PSD e o CDS “se tem revelado mais difícil”.

O deputado único do partido já tinha esclarecido que não estaria disposto a formar governo na próxima legislatura, considerando que o PAN ainda é muito recente e “comete falhas” que eventualmente deixarão de acontecer com a experiência e, esta noite, repetiu o argumentário quando foi confrontado com a hipótese de se unir ao Partido Socialista, na ressaca da noite eleitoral de 6 de outubro.

André Silva não poupou críticas ao Bloco de Esquerda que, diz, à semelhança dos restantes partidos vive uma “enorme confusão na ideologia” e não apresenta propostas ambientais de “longo prazo”.

O Bloco de Esquerda ora se diz revolucionário socialista, ora apresenta um programa social-democrata e diz que está disponível para governar com um PS, que acusa de estar mais à direita”.

O líder do PAN recordou a génese do partido e desafiou os eleitores a irem reler o programa eleitoral das eleições legislativas de 2015 onde, defende, a componente ambiental “era a maioria” e não “um leilão eleitoral de medidas avulsas a curto prazo” como as que são defendidas pelos partidos candidatos às legislativas deste ano.

“O princípio do poluidor-pagador tem de ser instituído no nosso país”

Ainda que não tenha concretizado nenhuma medida da área fiscal, preferindo centrar-se mais nas questões ambientais e dos animais — que afirma são “definidoras” do partido —, André Silva defendeu que o “programa e as medidas tendem para uma neutralidade fiscal” que são “norteadas por uma responsabilidade grande associada às contas públicas”.

Defendendo a instituição do “princípio poluidor-pagador” a aplicar às empresas poluentes instaladas em Portugal, o PAN mostra-se mais ambicioso que o PS no objetivo de desativar as duas centrais termoelétricas portuguesas nos próximos quatro anos. De acordo com o partido, os concursos públicos entretanto lançados pelo governo permitirão antecipar o encerramento das duas centrais, ajudando a trilhar o caminho com o objetivo final da neutralidade carbónica até 2030.

André Silva aproveitou ainda para recordar algumas das conquistas feitas durante a legislatura, nomeadamente aquela que obriga “as centrais termoelétricas a pagar ISP [Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos]”, mas quer ir mais longe e “agravar os impostos às empresas mais poluentes”.

SNS para cães e gatos “não faz qualquer sentido”

Explicando o desejo de “ver estendido a todos os animais o respeito e compaixão que temos ao nosso semelhante”, André Silva apontou críticas ao “subfinanciamento” que tem sido feito no Serviço Nacional de Saúde e que tem “agravado os custos para as famílias”, reforçando a necessidade de apostar na prevenção e promoção da saúde como a única forma de “manter a sustentabilidade do SNS”.

Mas e a criação de um SNS para cães e gatos, noticiada no final de agosto como uma das prioridades do PAN? André Silva voltou atrás na explicação que tinha dado à Visão, quando afirmou que a medida era uma “uma espécie de SNS para animais”. Diz agora que foi um “mal entendido” e que nada tem que ver com um SNS para cães e gatos porque “isso não faz qualquer sentido”, explicou que a criação de uma rede de serviço publico médico-veterinário terá impacto na vida de famílias carenciadas e instituições legalmente constituídas que “se têm vindo a substituir ao Estado”.