Rádio Observador

Fotografia

De Naomi Campbell a Rosalía, ninguém fotografou a moda e as mulheres como ele: morreu Peter Lindbergh

148

O alemão era uma referência da fotografia de moda desde o final dos anos 80, mas construiu uma identidade criativa que foi além das produções e das capas de revista. Morreu aos 74 anos.

Em 1990, a Vogue britânica publicou na capa uma foto que juntava Naomi Campbell, Linda Evangelista, Tatjana Patitz, Christy Turlington e Cindy Crawford. Era o momento que marcava em definitivo a era das supermodelos, referência que haveria de tomar conta de boa parte da década de 90. A imagem era de Peter Lindbergh, que não era um fotógrafo novo mas que se afirmava então como o autor definitivo de uma iconografia que deixou um legado inevitável até hoje. Lindbergh, alemão nascido em 1944, terá para sempre o nome inevitavelmente associado à fotografia de moda, mas assinou um trabalho que procurou passar por dimensões diferentes e que será sempre celebrado. Morreu esta terça-feira, 3 de setembro, aos 74 anos.

A capa do número de Janeiro de 1990 da edição britânica da revista Vogue, com a fotografia de Peter Lindbergh

A forma como descobria na moda um objeto fotográfico único, como transportava para a fotografia uma visão muito particular das mulheres e da imagem feminina fez com que Lindbergh fosse famoso mesmo para quem o seu nome não significava nada. Assinou fotos transformadas em símbolos, criou um universo particular e abriu portas para uma nova era fotográfica, que criou culto e discípulos.

Procurou, desde a década de 70, transportar o que mais o inspirava no cinema, numa imagem dramática mas realista a preto e branco, uma construção cénica que o permitia retratar de forma muito especial e pessoal o mundo concreto — e sobretudo o mundo feminino — que observava com atenção e cuidado particulares.

Essa particularidade fez com que quebrasse com as normas instituídas pela indústria da moda, adaptando e modelando à sua vontade aquilo que acreditava ser a mais válida e rica representação feminina: uma que mostrava a a força das mulheres, a vontade e a determinação que, nas fotografias de Lindbergh, criavam um novo protótipo feminino, rapidamente apropriado pelos principais criadores. Numa entrevista em que recapitulava o seu trabalho, haveria de dizer que “esta deveria ser a responsabilidade os fotógrafos de hoje: libertar as mulheres, e eventualmente todas as pessoas, do terror da juventude e da perfeição”.

O fotógrafo na exposição que lhe foi dedicada na Semana da Moda de Paris Primavera/Verão 2015 (Foto: Michel Dufour/WireImage)

Perfeição essa que dizia não ser o propósito do seu trabalho, mostrando-se pouco adepto de ferramentas como o Photoshop. Ainda assim, entre o trabalho editorial e comercial que assinava, a exigência era sempre a mesma: Peter Lindbergh praticamente não estabelecia qualquer fronteira entre o que fazia para revistas ou para marcas de luxo como a Chanel, que frequentemente requisitava os serviços do alemão.

Peter Lindbergh nasceu na Polónia ocupada, em 1944. Com antepassados holandeses, passava férias nos países baixos, haveria de estudar em Berlim e, mais tarde, fixar-se em Dusseldorf, já depois de ter completado os estudos em Belas-Artes e de ter depois seguido o caminho da fotografia, marcado pelo cinema como pelo fotojornalismo.

Além da fotografia, realizou documentários como os populares “Models, The Film” (1991) ou o retrato da coreógrafa e bailarina Pina Bausch, baseado na peça “Der Fensterputzer” (de 2002). Assinou capas de discos, posters de filmes e fes telediscos. Lindbergh foi alvo de várias exposições e livros antológicos e homenagens. A sua conta oficial de Instagram continua a ser atualizada com imagens de arquivo e é uma das principais fontes para recuperar um trabalho único e influente.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
História

O azar do museu Salazar /premium

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

A ignorância e o fanatismo, que estão na origem dos totalitarismos, combatem-se com a verdade e o conhecimento. A ditadura não se vence com a ignorância, mas com a ciência.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)