O ano letivo começa dentro de uma semana, mas ainda há escolas que não estão totalmente preparadas para receber os alunos. Embora o Governo tenha autorizado a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares a realizar investimentos numa série de escolas de Norte a Sul do país, a verdade é que muitos alunos vão começar as aulas em contentores, de acordo com o Diário de Notícias.

A portaria do Governo foi publicada em Diário da República em 2016, mas a Escola Básica e Secundária Sidónio Pais, em Caminha, a Escola Secundária Júlio Dinis, em Ovar ou a Escola Básica Fernão Magalhães, no Porto, são algumas das que já estão preparadas para fazer arrancar o novo ano letivo com instalações provisórias.

Ouvidos pelo jornal, alguns diretores queixam-se dos baixos orçamentos previstos para as obras que estão a afastar alguns empreiteiros: “Para aquilo que é necessário fazer, o dinheiro é pouco”, lamenta Fernando Castro, diretor da Escola Básica Fernão Magalhães. O Tribunal de Contas também é acusado por alguns destes responsáveis de excesso de lentidão na aprovação dos orçamentos e até a Autoridade para as Condições de Trabalho parece colocar entraves à remoção do amianto.

Contactado pelo Observador, o Ministério da Educação esclarece que “a quase totalidade destas obras estão concluídas ou em curso, prevendo-se o aumento significativo do número de empreitadas concluídas antes do início do ano letivo 2019/2020, tendo em conta que as férias de verão são habitualmente aproveitadas para esse fim”.

Jorge Ascenção, da Confederação Nacional das Associações de Pais, mostra-se preocupado com a fragilização das condições de aprendizagem dos estudantes. “Os contentores são espaços mais exíguos e podem não ter o mesmo conforto”, diz à Rádio Observador, apontando ainda o dedo ao Governo que acusa de falta de planeamento: “Obviamente que as obras são necessárias, mas era bom que houvesse a capacidade de planear  para que fossem feitas em períodos que causassem menos transtorno”.

Por outro lado, o Presidente da Associação de Diretores de Escolas, Filinto Lima, desvaloriza o recurso a contentores, preferindo dar valor ao avanço das obras que as escolas esperavam “há vários anos”. “Os contentores até são melhores do que algumas salas de aula de algumas escolas que estão num estado lastimável”, começa por dizer acrescentando que “não é pelo facto de as aulas decorrerem em contentores que o processo de aprendizagem vai ser prejudicado”.