O YouTube informou esta quarta-feira que está a mudar a forma como trata os dados de crianças e também os conteúdos para este público, depois da multa em 155 milhões de euros por violação de proteção de dados nos EUA.

Estamos a mudar a forma como tratamos os dados de conteúdos para crianças no YouTube. Daqui a quatro meses, passaremos a tratar os dados de qualquer pessoa que assista a um conteúdo para crianças no YouTube como sendo provenientes de uma criança, independentemente da idade do utilizador”, informa a empresa em comunicado.

A subsidiária da gigante tecnológica Google explica que limitará “a recolha de dados e a utilização em vídeos feitos para crianças apenas ao necessário para apoiar a operação do serviço”.

O YouTube também deixará de transmitir anúncios personalizados inteiramente com base em conteúdos infantis e “alguns recursos deixarão de estar disponíveis nesse tipo de conteúdo, como comentários e notificações”.

O anúncio das novas práticas segue-se à multa em 170 milhões de dólares (cerca de 155 milhões de euros), por violação da lei da proteção de dados para crianças, aplicada à Google e à sua subsidiária YouTube, nos Estados Unidos.

O YouTube adianta que, para identificar os conteúdos criados para crianças, menores de 13 anos, os próprios criadores dos vídeos terão de informar a empresa quando os conteúdos se enquadrarem nessa categoria.

Além disso, a subsidiária da Google recorrerá a tecnologia específica para encontrar vídeos que visem claramente o público jovem, por exemplo, aqueles que dão destaque a personagens infantis, temas, brinquedos ou jogos.

“A responsabilidade é a prioridade número um no YouTube e nada é mais importante do que proteger as crianças e a sua privacidade”, destaca também o YouTube em comunicado.

Segundo o comunicado da comissão de defesa do consumidor norte-americana (Federal Trade Comission — FTC), as tecnológicas são acusadas de reunir dados pessoais de menores indevidamente, sem o consentimento dos pais, e o valor da multa é um valor “recorde”.

Em abril de 2018, 23 organizações de direitos digitais e proteção à criança apresentaram uma queixa na FTC, que acusava a empresa YouTube de reunir informações pessoais de menores, tais como a localização, o dispositivo usado e até números de telefone, sem o conhecimento dos pais e de as usar para permitir publicidade direcionada.