O furacão Dorian enfraqueceu nesta sexta-feira para categoria 1, com ventos de 119 quilómetros por hora tendo chegado à Carolina do Sul, nos Estados Unidos, depois de passar ao largo da Florida. O balanço da passagem do furacão pelas Bahamas subiu de 20 para 30 o número de mortos, um registo que pode ainda aumentar, anunciou na quinta-feira o ministro da Saúde deste arquipélago nas Caraíbas.

[Veja aqui fotos da chegada do Dorian aos EUA:]

9 fotos

Duane Sands admitiu que o número de mortos possa ser “significativamente maior”, à medida que as equipas de resgate prosseguirem com as missões de busca. Os corpos das vítimas foram encontrados nas ilhas Ábaco e ilha da Grande Bahama, acrescentou.

Mais de 200 mil pessoas estiveram sem fornecimento de eletricidade nos Estados norte-americanos da Georgia e Carolina do Sul nesta quinta-feira. Novas imagens mostram que a cidade de Charleston esteve inundada, além de um tornado ter sido registado nas imediações da cidade de Wilmington, na Carolina do Norte, cerca das 12h, pelo Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, em ingês) na região, avançou a CNN.

O primeiro-ministro das Bahamas havia anunciado nesta quarta-feira que o novo número oficial de mortos é 20. O furacão, que recentemente havia perdido força e baixado para a categoria 2, voltou a subir, e agora já tem força de categoria 3, com ventos de até 185 quilómetros por hora, segundo o centro meteorológico norte-americano National Hurricane Center.

Minnis disse que vai enviar forças policiais e de defesa adicionais para as ilhas Ábaco e Grand Bahama devido às pilhagens que se têm registado após a passagem do que causou pelo menos 20 mortos, em conferência de imprensa, acrescentando que as forças adicionais serão mantidas até que a lei e a ordem sejam restauradas. Os militares contribuirão para garantir a lei e alertou que qualquer pessoa que pratique num ato de pilhagem será perseguida e sujeita à justiça, avisou o primeiro-ministro das Bahamas.

[O furacão Dorian deixa um cenário de destruição nas Bahamas]

O Dorian afetou fortemente o arquipélago, sobre o qual permaneceu por muito tempo quase imóvel, com chuvas torrenciais. Segundo o primeiro-ministro das Bahamas, Hubert Minnis, 60% de Marsh Harbour, a principal cidade das Ábaco, ficou destruída. O aeroporto ficou sob a água, com a pista inundada, e toda a zona parecia um lago.

As Nações Unidas indicaram na quarta-feira à noite que cerca de “70.000 pessoas precisam de ajuda imediata”. Num contacto telefónico a partir de Nassau, o secretário-geral-adjunto para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, disse que a ONU tinha desbloqueado um milhão de dólares (cerca de 906 mil euros) do seu fundo de emergência para prestar os primeiros socorros aos afetados.

Antes, o secretário-geral da ONU, António Guterres, tinha referido que as Nações Unidas estavam a apoiar os esforços conduzidos pelo Governo das Bahamas e que iam integrar as equipas de avaliação enviadas para as áreas devastadas pelo furacão. O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, adiantou que Guterres “permanece muito preocupado pelas dezenas de milhares de pessoas afetadas nas Grande Bahama e Ábaco” e que enviou condolências às famílias dos que morreram.

Os ventos severos e as águas castanhas e lamacentas destruíram ou danificaram gravemente milhares de casas, incapacitando a atividade de hospitais e deixando muitas pessoas presas em sótãos.

As Bahamas foram atingidas no domingo pelo mais forte furacão registado na história do arquipélago, que fustigou, principalmente, as ilhas Ábaco e Grande Bahama, com ventos até 295 quilómetros por hora e chuva torrencial, antes de seguir na terça-feira a sua rota em direção à Florida. Vários milhões de pessoas na Florida, Geórgia e Carolina do Sul foram aconselhadas a sair dos locais próximos da costa, por onde Dorian deve passar.