Com o regresso das férias de verão, teatros e salas de espetáculos iniciam uma nova temporada e já é possível antever algumas propostas, ainda que nem todos tenham divulgado para já a programação completa dos próximos meses. De entre digressões, estreias absolutas e acolhimentos, o Observador selecionou 20 espetáculos em todo o país, organizados por data de apresentação e com base nas informações divulgadas pelos criadores.

Braga

Theatro Circo – “A Antiga Mulher”, 8 a 10 de outubro

Com encenação de Toni Cafiero, da Companhia de Teatro de Braga, este texto do dramaturgo alemão Roland Schimmelpfennig (nascido em 1967) conta uma “história tão antiga quanto a humanidade”, com o regresso de uma amante à vida de um homem casado. “Schimmelpfennig é o explorador de universos de luz e mais sombrios das nossas identidades contemporâneas, lá onde o equilíbrio do feminino e do masculino está em jogo.”

Guimarães

Centro Cultural Vila Flor – “Madrugada” e “Annette, Adele e Lee“, 14 de setembro

O Centro Cultural Vila Flor (CCVF) está a comemorar 14 anos de existência e precisamente no dia 14 assinala a data com duas propostas da área da dança. “Madrugada”, de Victor Hugo Pontes, um “espetáculo em transe” sobre a ideia de exaustão física, e “Annette, Adele e Lee”, de Rui Lopes Graça, em colaboração com o artista plástico João Penalva, a partir de sons de sapateado. Ambas com intérpretes da Companhia Nacional de Bailado.

©Hugo David

Vila Real

Teatro de Vila Real – “Arquivo Negro”, 21 de setembro

De título completo “Arquivo Negro – Passos Largos em Caminhos Estreitos”, uma coreografia de Cláudia Nwabasili e Roges Doglas, pela Companhia Pé no Mundo, do Brasil. Trata-se de um espetáculo “livremente inspirado em histórias de personalidades negras que não foram devidamente valorizadas nas narrativas históricas”, como Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus, Abdias do Nascimento.

[vídeo promocional de “Arquivo Negro”]

Porto

Teatro Nacional São João – “A Morte de Danton“, 18 a 29 de setembro

Peça que marca o início da primeira temporada no São João sob a liderança de Nuno Cardoso, que assumiu funções no início deste ano. É ele o encenador deste texto que Georg Büchner publicou em 1835, sob os ecos da Revolução Francesa. “Uma feroz fragmentação da forma teatral tradicional, lançando cenas curtas e longas, agitadas e meditativas num entrechocado fluxo narrativo que antecipa a montagem cinematográfica.” Será apresentado no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, em janeiro do próximo ano.

Rivoli – “La Fiesta“, 27 de setembro

Descrito como um dos grandes inovadores do flamenco atual, Israel Galván (Sevilha, 1973) faz neste dia a estreia portuguesa de um espetáculo sobre o regresso à sua infância e à essência dos “tablaos”. “O público é convidado a vibrar e, sobretudo, a desvendar os enigmas desta festa de recordações pessoais e coletivas.”

[vídeo de “La Fiesta” quando da apresentação no ano passado em Londres]

Rivoli – “Auto-Acusação“, 4 e 5 de outubro

Lê-se na sinopse: “O novo espetáculo do Teatro do Bolhão, com encenação de Joana Providência e Maria do Céu Ribeiro, a partir de Peter Handke, é uma das intituladas ‘Peças Faladas’, na qual não há personagens, narração ou cenário e a palavra ganha o protagonismo da cena.” Em estreia.

Aveiro

Teatro Aveirense – “À Espera de Beckett ou Quaquaquaqua“, 21 de setembro

Prossegue a digressão nacional desta peça de homenagem ao ator e encenador Francisco Lopes Ribeiro, o Ribeirinho (1911-1984). São recordadas as três versões de “À Espera de Godot”, de Beckett, que Ribeirinho encenou em 1959, 1969 e 1973. Texto e direção de Jorge Louraço, com Estêvão Antunes, Mário Moutinho, Óscar Silva e Pedro Diogo.

Coimbra

Teatro Académico Gil Vicente –“Playoff”, 11 de outubro

Texto de Marta Buchaca e direção de José Luis Arellano García, uma “tragicomédia que decorre no balneário de uma equipa de futebol feminino”, para refletir sobre “o papel da mulher e do desporto feminino numa sociedade que manifesta ainda um machismo feroz”.

Minde

Fábrica de Cultura – “Mistério da Cultura“, 27 de setembro

Proposta do coreógrafo David Marques, “um puzzle de motivações dos artistas e do público, um thriller burocrático dançado, um enigma por desvendar”, em antestreia no âmbito do Festival Materiais Diversos, que assinala uma década de existência e decorre desta vez entre 27 de setembro e 5 de outubro, em Minde, no Cartaxo e em Alcanena.

Lisboa

Escola de Mulheres / Clube Estefânia – “O Banho de Tomoko” – 5 a 22 de setembro

O poder das imagens, a interpretação que lhes damos, o choque, a surpresa – a representação do sexo é mais poderosa do que a da morte, o que é verdade e o que é mentira? São temas e perguntas de partida para um espetáculo de Catarina Santiago Costa e Marta Lapa, em estreia.

©Valério Romão

Teatro Municipal São Luiz – “A Dama das Camélias” – 6 a 22 de setembro

O romance clássico de Alexandre Dumas (Filho), descrito pelo encenador, Miguel Loureiro, como “sortilégio tardo-romântico que tanto fascínio ainda nos causa, por refundar o gesto, o esgar e a miragem românticos, com a sua plêiade de perdidos, drogados, tísicos, arruinados e com todo o seu ‘grandeur’ fanado”. Com Álvaro Correia, António Durães, Carla Bolito, Carla Maciel, Gonçalo Waddington, Leonor Buescu, Miguel Mateus, Miguel Sopas, Rita Rocha, Sonja Valentina, Victor de Sousa (voz “off”).

[vídeo de promoção de “A Dama das Camélias”]

A Dama das Camélias

«A Dama das Camélias», de Alexandre Dumas (filho), abre a temporada 2019-2020 no Teatro São Luiz. Com encenação de Miguel Loureiro, estreia já a 6 de setembro na Sala Luis Miguel Cintra.#teatrosaoluiz #saoluiz125anos #adamadascamelias #alexandredumasfils #miguelloureiro

Posted by São Luiz Teatro Municipal on Thursday, August 22, 2019

Mercado da Ribeira / Estúdio Time Out – “Todas as Coisas Maravilhosas”, 27 de setembro a 13 de outubro

Monólogo escrito por Duncan Macmillan, regressa a Lisboa com aura de acontecimento. “Ivo Canelas convida o público a participar, abordando, de forma emocionante e com humor, temas como a depressão, as crises existenciais, a família e o amor.”

©Hugo Macedo

Teatro Nacional D. Maria II – “Depois do Medo“, 9 a 13 de outubro

Bruno Nogueira encena e interpreta um regresso à “stand up comedy” e “aborda questões que só incomodam pessoas que têm demasiado tempo livre”, diz a sinopse. “Entre os temas interessantíssimos, poderão encontrar a intrigante problemática das pessoas que, sem terem nada na boca, mastigam quando estão a olhar para alguém a comer.” Um espetáculo estreado em novembro de 2018, no Teatro das Figuras, em Faro, agora na Sala Garrett. Também no D. Maria II, a 17 de outubro, Jorge Andrade e Deborah Pearson apresentam “Money“.

©João Porfírio/Observador

Culturgest – “Rétrospective“, 19 de outubro

Compilação e montagem, em vídeo, de seis espetáculos do coreógrafo francês Jérôme Bel (de 1995 a 2015), “expõe as preocupações centrais de Bel à volta de temas como o corpo, a língua, a cultura, o poder e a vulnerabilidade, concentrando-se na ligação entre dança e política”.

Teatro Camões – “A Meio da Noite“, 19, 20 e 27 de outubro

Criação da Companhia Olga, é uma “profunda homenagem” a Ingmar Bergman e aos atores dos seus filmes. “Sete intérpretes encontram-se para partilhar as suas pesquisas sobre a obra do realizador e criarem, coletiva ou individualmente, cenas que possam integrar um futuro espetáculo.” Com André de Campos, Beatriz Dias, Bruno Alexandre, Bruno Alves, Catarina Câmara, Francisco Rolo, Lígia Soares e Rita Calçada Bastos. A estreia foi em abril do ano passado no Teatro Nacional São João.

[vídeo promocional de “A Meio da Noite”]

Almada

Teatro Municipal Joaquim Benite – “Time Takes the Time Time Takes” , 21 de setembro

Espetáculo de e Guy Nader e Maria Campos, “consiste numa conversa física e dinâmica baseada na repetição coreográfica, e tendo como ‘leitmotiv’ o movimento pendular: o mesmo movimento dos mecanismos que medem tempo e espaço.” É uma das propostas da 27ª Quinzena da Dança de Almada, que decorre entre 21 de setembro e 10 de outubro.

[excerto de “Time Takes the Time Time Takes”]

Faro

Teatro das Figuras – “Adorabilis”, 19 de setembro

Criação da dupla Jonas & Lander, em reposição no âmbito do Festival Dance Dance Dance 2019. “Pensando no polvo enquanto símbolo de multiplicidade, Jonas & Lander decidem criar uma dança-polvo com o objetivo de ingerir, digerir e regurgitar distintas referências culturais e naturais.”

[excertos de “Adorabilis”]

Ponta Delgada, Açores

Teatro Micaelense – “Farde-Moi”, 4 de outubro

“Esta peça de teatro físico, para cinco intérpretes, pretende explorar o tema da identidade na sociedade contemporânea”. Criação da Compagnie Maxime & Francesco, acolhida em Ponta Delgada como parte do Paralelo – Festival de Dança.

[vídeo promocional de “Farde-Moi”]