A Coreia do Norte segue com o seu programa de armas nucleares apesar das sanções, conclui um relatório da ONU, publicado após os recentes testes de mísseis norte-coreanos, cuja importância foi subestimada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O regime norte-coreano decretou em 2018 uma moratória aos testes nucleares e ao lançamento de mísseis de longo alcance. Também anunciou o encerramento do local de testes nucleares de Punggye-ri. Entretanto, de acordo com o relatório divulgado esta sexta-feira pelas Nações Unidas, Pyongyang não interrompeu o desenvolvimento de ogivas nucleares.

“O programa nuclear da República Popular Democrática da Coreia continua, apesar da falta de testes nucleares e do encerramento do local de testes nucleares de Punggye-ri”, indicou um painel de especialistas da ONU num relatório que abrange o período de fevereiro a agosto.

A Coreia do Norte mantêm em funcionamento o complexo de enriquecimento de urânio de Yongbyon, disse ainda a mesma fonte.

O futuro deste complexo foi um dos pontos controversos da segunda cimeira entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e Donald Trump, que resultou num grande fracasso em fevereiro, em Hanói. As negociações bilaterais entre Washington e Pyongyang ficaram, então, num impasse.

Os dois líderes reuniram-se novamente em junho na fronteira da Zona Desmilitarizada (DMZ), que separa as duas Coreias desde o final da guerra (1950-53). A reunião resultou na decisão de retomar as negociações, entretanto, estas não foram reiniciados desde então.

O Presidente dos Estados Unidos costuma sublinhar que a ausência, desde 2017, de testes nucleares e lançamento de mísseis de longo alcance é um de seus sucessos diplomáticos.

Nas últimas semanas, Pyongyang realizou uma série de testes de mísseis de curto alcance para expressar a sua insatisfação com as manobras militares conjuntas conduzidas por forças sul-coreanas e norte-americanas.